
O movimento hippie estorou nos Estados Unidos nos anos 1960, com o lema Faça Amor, Não Faça Guerra. Dirigido por Philippe de Broca (O Homem do Rio), o filme Esse Mundo é dos Loucos, de 1966, já discutia questões parecidas – antes mesmo do surgimento de toda a contracultura vivida em Califórnia.
Na trama do longa, que se passa no período da Primeira Guerra Mundial, uma pequena cidade da França sofre ameaças de ser explodida. O soldado Charles Plumpick (Alan Bates) é convocado por engano para desarmar a bomba. E, chegando ao local, encontra a cidade quase vazia. Os únicos remanescentes são pacientes de um hospício.
A alegoria sobre a guerra criada por Broca rende vários momentos cômicos e permanece bastante atual. Se tirado do contexto, os ditos loucos são na verdade bastante parecidos com pessoas como eu ou você. Pelo fato de estarem em guerra, os pacientes não se preocupam com o que acontece fora da cidade e decidem viver como símbolos da resistência. Não estão ali para receberem ordens e não compactuam com a violência.
Destaque para a caracterização dos personagens ditos loucos. Com roupas extravagantes e bem coloridas, dão vida e leveza ao filme. Ingênuos, eles dão espaço para situações engraçadas, como quando roubam o tanque de guerra de um exército inimigo para dar uma voltinha. Mas o drama também está presente. Tudo muito bem acompanhado da trilha sonora de George Delerue, ora festiva, ora dramática.
Semelhanças
Alan é o rei do sistema monárquico que os loucos criaram, vivem fazendo festas e celebrando o fato de estarem livres. Alan, único realmente são, desenvolve relações bastante afetuosas com todos os pacientes. Algo que também acontece em outro clássico cinematográfico – Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975), no qual o protagonista Randle (Jack Nicholson) estabelece relações de cumplicidade em uma clínica que trata de doentes mentais.
Os amigos loucos de Alan desfilam pela cidade em cima de carros, fazendo com que soldados inimigos pensem que o lugar está em clima de Carnaval. A cena do carro lembra bastante uma passagem de Blow Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni. Também lançados em 1966. A cena final de Esse Mundo é dos Loucos é emblemática e poética. Vale a pena assistir.