Fernanda Makino
Especial para o Jornal de Brasília
Documentário sobre a vida do arquiteto Sérgio Bernardes, pertencente a mesma geração de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, chega às telonas nesta quinta (26). A ideia de produzir o longa Bernardes partiu de seu neto, o arquiteto Thiago Bernardes, que visita as obras do avô e entrevista pessoas que foram influenciadas ou que conviveram com Sérgio, morto em 2002, aos 83 anos. “A expectativa é que as pessoas conheçam não só seu legado arquitetônico, mas sobretudo a ‘inquietação’ de Sergio, o desejo de um mundo melhor”, espera Thiago.
Com direção de Paulo de Barros e Gustavo Gama Rodrigues, o filme mostra fatos marcantes da história do arquiteto.
Polêmica
Estão lá fatos como o rompimento de seu casamento de 25 anos por meio de uma carta; o desaparecimento de seu nome dos currículos de faculdades de arquitetura em consequência das obras feitas para o governo militar, como o Mastro e o Pavilhão Nacional, na Praça dos Três Poderes; e a mudança para os Estados Unidos, ato que o levou ao esquecimento.
Entre as suas obras mais conhecidas realizadas na capital está o Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Personalidade pública proeminente na sociedade brasileira, recebia figuras importantes como os Kennedy, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e o arquiteto Le Corbusier.
Seus vastos materiais iconográfico e documental, guardados há mais de uma década, foram recuperado para a película. São inúmeros textos, poesias, teses, croquis, mais de 22 mil plantas e cerca de oito mil fotografias.,
Perguntas para o diretor
Qual o legado de Bernardes?
A obra de Sérgio transcende a arquitetura. Talvez seu maior legado seja a maneira com que encarava e repensava a sociedade. Ele nunca aceitou o que lhe era imposto pelo sistema, tinha uma força interna que o impulsionava a pensar em soluções para problemas sociais crônicos.
O que mais emociona na história do arquiteto?
Emociona muito saber que esse homem brilhante lutou pelas suas ideias até os últimos momentos de vida. Sérgio nunca deixou de acreditar em seus projetos e teve a capacidade de se reinventar diversas vezes durante a sua história, mas sempre manteve o mesmo foco, a mesma determinação.