A Cia de Teatro As Graças (formada pelas atrizes Daniela Schitini, Eliana Bolanho, Juliana Gontijo e Vera Abbud), em atividade desde 1995, chega ao Destrito Federal ( Planaltina) para apresentar, nos dias 27 (sábado) e 28 (domingo) de julho, às 16h, o espetáculo ‘Marias da Luz’ – a décima quarta criação coletiva do grupo. A peça estreou, em julho, em São Paulo e, também, foi apresentada em Goiânia. A temporada de apresentações vai até dezembro deste ano e passará por 12 estados brasileiros.
Construída a partir de depoimentos reais de mulheres do Parque da Luz, em São Paulo, a peça é resultado da ocupação realizada pela Cia. desde 2012 no parque mais antigo de São Paulo. A Cia. apresentou o espetáculo pela primeira vez no Parque da Luz no mês de junho (dias 15, 16, 22, 23, 29 e 30) e julho (dias 06 e 07). A primeira apresentação da turnê aconteceu em Goiânia. Depois de Brasília (27 e 28/07) o espetáculo segue para Palmas (03 e 04/08); Belém ( 10 e 11/08); São Luís ( 24 e 25/08); Fortaleza (31 e/08 e 01/09); Natal ( 07 e 08/09); Salvador (21 e 22/09); Belo Horizonte (28 e 29/09); Rio de Janeiro (05 e 06/10); Florianópolis (19 e 20/10) ; Curitiba (26 e 27/10).
Para encerrar a temporada a Cia. volta ao Parque da Luz para apresentações nos dias 09, 10, 16, 17, 23, 24, 30/11 e 01/12.
Espetáculo ‘Marias da Luz’
O Parque da Luz, primeiro da cidade de São Paulo, fundado em 1798 – local base com seus habitantes para o desenvolvimento da pesquisa da Cia — servirá de cenário para compor o universo poético das quatro personagens de ‘Marias da Luz’.
Maria Pequena (Eliana Bolanho), Mariana (Daniela Schitini) e Marivânia (Juliana Gontijo) que contam fragmentos das histórias de suas vidas e a fotógrafa Marileide/Biguá (Vera Abbud).
Marivânia (Juliana Gontijo) é mãe, uma mulher que procura a filha Maria, desaparecida no Parque da Luz há muitos anos; Mariana (Daniela Schitini) é uma mulher jovem dos anos 1910, que chega à Estação da Luz para encontrar o noivo que a abandona grávida; e Maria Pequena (Eliana Bolanho), uma mulher que trabalha como prostituta no parque, abandonada na infância pela mãe na antiga rodoviária e Marileide/Biguá (Vera Abbud), fotógrafa, uma personagem atemporal, enigmática e cômica que registra e interage com as histórias dessas mulheres.
O tradicional ônibus-palco, marca do projeto As Graças Circular Teatro-Do Parque da Luz para o Brasil, ajudará a contar a história, mas nesta montagem, dará lugar à Casa de Chá, ao Ponto do Bonde, ao Coreto e ao Roseiral, pontos que são o palco e que serão percorridos pelo público, acompanhado pelas atrizes, neste trajeto poético em que acontecem as cenas.
A escolha do nome ‘Marias da Luz’ deu-se pelo fato de grande parte das mulheres entrevistadas durante o recolhimento de depoimentos se chamarem Maria ou de terem alguém próximo e que faziam parte de suas histórias com o nome de Maria.
A cada espetáculo um diretor convidado
Desde sua fundação a Cia As Graças convida, a cada espetáculo, um diretor de teatro para participar das criações de seus espetáculos. Nomes como Ednaldo Freire, Vânia Terra, Kleber Montanheiro, Regina Galdino, Marco Antonio Rodrigues, Vivien Buckup, Cris Lozano, Cibele Forjaz, Cristiane Paoli Quito, Leris Colombaioni, já dirigiram peças do repertório da As Graças.
Em Marias da Luz a direção é de André Carreira – estudioso e diretor de teatro que tem como proposta de seu trabalho o teatro de invasão – a cidade como dramaturgia. Formado em artes plásticas pela UNB, e doutor pela Universidad de Buenos Aires. Leciona no Programa de Pós-Graduação em Teatro (Mestrado/Doutorado) da Universidade do Estado de Santa Catarina. Em 2007, Carreira lançou o livro Teatro de Rua: uma paixão no asfalto.
Sugestão de Sinopse
Nova criação da Cia. As Graças construída a partir de depoimentos reais de mulheres do Parque da Luz.
Quatro mulheres de tempos diferentes tocadas pelo abandono e pela solidão se encontram no Parque da Luz e buscam um novo começo para suas vidas.
As Graças têm em seu repertório treze espetáculos autorais que já circularam por diversas cidades do Brasil (incluindo a capital paulista onde foram, várias vezes, contempladas com a Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo).
Entre as peças da companhia algumas têm inspiração no universo literário e são destinadas ao público adulto, outras abordam a linguagem de bonecos e são voltadas ao público infantil. A companhia também aborda outras linguagens como, por exemplo, o teatro de rua. Desde 2002 o grupo realiza o projeto Circular-Teatro, utilizando um ônibus que se transforma em palco para levar teatro ao público que encontram nas ruas e praças da cidade de São Paulo e diversas outras cidades do Brasil por onde passa.
Espetáculos do grupo As Graças – Trajetória completa
-Endecha das Três Irmãs, de Adélia Prado, direção e adaptação de Vânia Terra;
-Poemas para Brincar, de José Paulo Paes, adaptação de Juliana Gontijo e direção de Eduardo Amos
-Sonhos de Einstein (98) de Alan Lightman, direção e adaptação de Isabel Setti ;
-Itinerário de Pasárgada (99) de Manuel Bandeira, direção e adaptação de Regina Galdino;
– O Vôo (2000) com direção de Cláudio Saltini e adaptação de Regina Galdino
– O Vôo II – A grande corrida das máquinas voadoras(2002) com direção de Eduardo Amos e texto de Regina Galdino;
-Tem Francesa no Morro (2002) musical com direção e texto de Kleber Montanheiro
-Nas Rodas do Coração (2004) musical com direção de Ednaldo Freire e texto de Regina Galdino, criado especialmente para o projeto Circular Teatro;
-Clarices (2006) com textos de Clarice Lispector e direção de Vivien Buckup ;
-Noite de Reis (2006) de Shakespeare, adaptação de Daniela Schitini e direção de Marco Antônio Rodrigues, criado para o projeto Circular Teatro;
-Tem, mas acabou! (2008), espetáculo infantil sobre morte e finais de ciclos com textos do grupo e de Ricardo Azevedo e direção de Cris Lozano.
-Como Saber!, direção e dramaturgia de Leris Colombaioni, criado para o projeto Circular Teatro;
– Não Uma Pessoa, texto de Daniela Schitini e direção de Vivien Buckup.
O projeto As Graças Circular Teatro – Do Parque da Luz para o Brasil compreende uma mostra de repertório, palestras, saraus e o trabalho de pesquisa sobre histórias de pessoas que habitam ou frequentam a região central da Luz e a criação e circulação do espetáculo ‘Marias da Luz’.
Curiosidades sobre o Parque da Luz
Primeiro Jardim Botânico brasileiro, uma espécie de viveiro de cultivo de vegetação de várias partes do mundo mantido por portugueses.
A construção da Estação da Luz, no final do século XIX, contribuiu muito para a degradação do parque, os imigrantes dessa época vinham de muitas regiões do país e do exterior eram predominantemente italianos, e por isso a existência da estátua de Garibaldi, que foi o primeiro busto a ser esculpido no Brasil.
O Parque da Luz sempre foi um lugar democrático, de convivência e de encontros nos âmbitos político e de relações sociais, frequentado em seus diferentes ambientes tanto pelos barões do café quanto pelos escravos.
Monteiro Lobato foi um frequentador muito assíduo e reclamava da influência europeia – principalmente da inglesa (Casa de Chá) e francesa (Coreto) – na arquitetura do parque.
O parque tinha um observatório (Séc XVIII) que foi demolido após a construção da Estação da Luz, pois ficava bem em frente e ofuscava a sua torre.
O Aquário (Séc XIX) não possui registro sobre a origem e sua construção.
O lago em forma de cruz de malta era uma grande atração do parque e as pessoas navegavam nele.
A casa do administrador (séc XX) foi habitada por um alemão conhecedor de Botânica, sua família viveu por 3 gerações, até 1970
As primeiras experiências com o uso da energia elétrica em São Paulo foram no Parque da Luz. Uma das grandes escavações arqueológicas destruiu cerca de 70% da vegetação do parque.
A prostituição existe no parque de forma estabelecida resultante de um processo histórico iniciado em 1910 quando os principais prostíbulos da cidade foram fechados e as prostitutas ficaram desempregadas e passaram a trabalhar no parque e lá permanecem até hoje.
Muitas delas trabalham nas lojas da Rua José Paulino e trabalham como prostitutas no período livre. Houve muitos movimentos por parte das administrações do parque para expulsá-las, mas elas sempre se uniram e resistiram.
Serviço
Espetáculo: Marias da Luz
Datas: 27 (sábado) e 28 (domingo) de julho de 2013, às 16h
Local: Praça Salviano Monteiro Guimarães – Centro Histórico de Planaltina
Duração 60 minutos
Classificação etária: Livre
Grátis