Do samba ao choro, da bossa nova ao jazz – passando pelos tambores do afro samba. Nesse compasso, Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda firmam parceria e lançam o disco “Bossa Negra”.
Com o sucesso nos palcos, ainda no camarim, surgiu a ideia de gravar o álbum. Além de inluências afro, a edição traz sons da nossa música popular, como a doce voz de Vinícius de Moraes. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, os sambistas falam sobre o álbum e contam os futuros planos para o projeto.
Bossa Negra e samba novo
O nome surgiu no mesmo momento, antes mesmo da execução do projeto. Nas palavras de Hamilton de Holanda, “o título vem da força rítmica, do batuque e do tambor. Nossa bossa é de varias cores e, o mais importante, que é o nosso princípio, é a miscigenação. Além disso, a sonoridade nos pegou. Já representa”. Segundo Diogo Nogueira, a palavra bossa não faz referência direta ao estilo ‘bossa nova’, apesar de o álbum sofrer essa influência. “No caso, ‘bossa’ vem da brincadeira, da maneira espontânea, swing, pouco vem da bossa nova. Vem do sentido da palavra”, explica.
Ainda assim, não há como não fazer uma relação entre os mais importantes períodos da história da nossa música. A bossa nova foi uma revolução musical, do final dos anos 50, e responsável pelas novas diretrizes da MPB. Ela também tinha influências de outras sonoridades, no caso, o jazz. Questionados por essa analogia entre as duas palavras, que interfere no seu significado simbólico, Diogo afirma que “o ontem está ligado ao hoje, assim como o hoje está ligado ao amanhã. Não pra dizer que queremos modernizar ou não”.
No entanto, o sambista confessa que o álbum tem como objetivo fazer um aplanado do aprendizado musical de cada um, de acordo com todos os trabalhos da carreira. “Queríamos ver tudo que tínhamos de bagagem. Ver os trabalhos bacanas da época e como foi emocionante fazer aquilo. Queríamos juntar tudo e inovar”, conclui Nogueira.
Influências
Hamilton de Holanda teve sua carreira no âmbito do choro. Ainda quando morava em Brasília, tocava no famoso Clube do Choro, tendo composições premiadas e discos de ouro. Sua história se completa pela leveza das notas da melodia desse samba leve. Segundo eles, o ritmo aparece sutil no “Bossa Negra”. “Nem que a gente não quizesse, o choro ia aparecer. Ele é tão natural que já faz parte”, dizem.
Grandes nomes da música brasileira foram estudados para dar forma a obra, tais como Pixinguinha, Vinícius de Morais, Arlindo Cruz e Paulo César. Além do pai de Diogo, o saudoso João Nogueira.
O CD conta com oito faixas inéditas e cinco regravações. O álbum já está disponível nas lojas e em formato digital. Neste mês, os sambistas irão apresentá-lo em São Paulo, dando início a turnê pelo Brasil. Os gênios da música confessam que tem expectativas de sair do País, com shows em vários lugares do mundo. Sem data prévia, a turnê internacional poderá ocorrer no verão de 2015.