Michel Toronaga
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Alex Proyas (Eu, Robô e O Corvo) mostra toda a ostentação hollywoodiana no excessivo Deuses do Egito, longa-metragem que estreia hoje nos cinemas com carnavalescos efeitos especiais e figurinos cheios de pompa e brilho. A fotografia amarelada lembra 300, e a presença de Gerard Butler no elenco ajuda a reforçar ainda mais a lembrança do épico dos espartanos. Mas não se engane. Aqui, o ator interpreta o vilão, o deus Set.
O filme mostra o golpe de Set (Butler) para se tornar o rei do Egito. Ele mata o irmão e cega o sobrinho, que assumiria a coroa. Vale lembrar que eles são deuses, por isso têm poderes especiais e uma estatura maior que os humanos. Começa, então, um período sombrio na nação, com o povo forçado a trabalhar para construir templos imensos.
Pirâmides
A única esperança para que as coisas melhorem é Bek (Brenton Thwaites), um ladrão. É a chance que Horus (Nikolaj Coster-Waldau, de Game of Thrones) tem de se vingar e recuperar seu posto.
Depois de Fúria de Titãs, Imortais e tantos outros títulos inspirados na mitologia grega, é interessante ver uma história que se baseie na mitologia egípcia, que também é riquíssima. É um dos pontos positivos da trama, que traz alguns momentos inspirados, como o deus Ra (Geoffrey Rush, de O Discurso do Rei) e a forma com que ele comanda o Sol.
Na tentativa de acrescentar ação, muitas perseguições intercalam as cenas. É aí que entram lutas, monstros e deuses que se transformam em espécies de robôs, muitas vezes com um visual que lembra o personagem Lord Zedd, de Power Rangers, numa versão Hans Donner.
Com muito brilho, uma direção de arte com muita cor dourada e um visual que ofusca a visão pelo exagero, Deuses do Egito não traz muitas novidades, embora seu roteiro siga à risca a cartilha para uma perfeita jornada do herói, estrutura narrativa que tantas vezes já inspirou livros e filmes. Há obstáculos, aliados, inimigos, aprendizados e muita aventura.