Com ela não tem frescura e nem tempo ruim. Seja para emagrecer, engordar, cortar ou até mesmo raspar o cabelo, viver um drama, uma comédia, ela está ali, pronta. Com 34 anos, Deborah Secco já viveu e passou por tudo nas telinhas e nas telonas. Afinal, o seu objetivo de vida, como ela mesma faz questão de frisar, é estar 100% disponível para os seus papéis. “Minha vida é isso. Eu escolhi dispor meu físico para dar vida aos meus personagens”, afirma. A atriz, que estreou na TV com apenas oito anos de idade fazendo publicidade, soma no seu vasto currículo 37 interpretações em novelas, 11 em filmes e 10 em teatro. Deborah emagreceu 12 kg para viver a personagem soropositiva no longa-metragem Boa Sorte e chegou até a adoecer na época. E se o assunto é não poupar esforços, logo depois ela voltou para o peso normal e engordou para gravar A Estrada do Diabo, ainda sem previsão de estreia.
Como é para a Deborah mudar tanto para interpretar personagens distintos? Muito sofrido?
Eu vou administrando sempre com minha nutricionista. Mas eu escolhi deixar o meu corpo disponível para os personagens. Já fiz mudanças radicais. Agora mesmo estou loira e meu cabelo não está mais podendo ser pintado. Exige mais hidratação, ir ao salão mais vezes. E não sou muito paciente com salão. Prefiro meu cabelo curto e castanho. Já me perguntaram se engordar ou emagrecer é difícil. E eu falei que ficar com as unhas postiças é muito mais. Imagina viver sem Whatsapp (aplicativo de celular que permite troca de mensagens)? Antes eu digitava uma mensagem em um segundo, com essa unha levo três horas e meia (risos). É realmente mais difícil do que emagrecer. E sou feliz mais cheinha. Atingir meu objetivo para o personagem é como uma gincana. Quando eu consigo chegar ao peso pedido minha felicidade é tamanha. Tem gente que acha que quando engordo fico arrasada porque estou feia. Mal imaginam que estou superfeliz.
Quais personagens que mais marcaram sua carreira?
Eu cresci muito fazendo a Bruna Surfistinha e a Judite, do filme Boa Sorte. A Judite mesmo me ensinou demais. É uma soropositiva que tem os dias contados, mas ela é uma mulher feliz, livre, apaixonante, que trabalha e vive com a sensualidade dela mesmo sem forças. Conheci crianças que tinham pouco tempo de vida e estavam tão felizes. Aí eu paro para pensar que tem gente que tem tudo e é infeliz. A Bruna também foi enriquecedora. Vivenciei de perto um cenário cruel de meninas estupradas pelos pais, padrastos. Essas meninas acabam indo se prostituir. Cara, é tudo tão cruel e fico pensando como minha vida é incrível. Graças a Deus pude interpretar dois personagens que me fizeram ver a vida de forma mais leve, mais real. Antigamente eu desejava saúde para as pessoas. Hoje, eu desejo alegria. Afinal, tudo é muito efêmero e somos tão pequenos diante de coisas importantes.
E como é passar de um papel para outro tão diferente? Você tem preferência por algum gênero?
Eu gosto desse mix, de comédia e depois drama. Saí de Boa Sorte e agora volto pra fazer a Inês, que é uma personagem um pouco cômica. Saio do cinema e volto para as novelas. E Boa Sorte me realizou tanto com a pura história de amor de uma menino de 17 anos com uma mulher mais velha e doente. Isso faz deles um casal único. Ainda mais que eu sou a pessoa mais romântica do mundo. Acredito em príncipe encantado e sonho com um amor para sempre, com trilha sonora e tudo. Depois desse filme, voltei para novela com outra energia.
Algum príncipe encantado? Namorados…
Eu tive relações diferentes, com pessoas diferentes. Mas na vida tudo é uma questão de prioridade. Eu sempre foquei muito no meu trabalho e o mais importante é que tenho uma família. Acho que as coisas acontecem na hora que elas têm que acontecer. Por isso não devemos ter ansiedade. Quando sabemos que algo não nos faz bem, o melhor é ficar sozinha. Algumas coisas não fazem mais sentido para mim depois das coisas que vivi, dos filmes que fiz. A vida é muito curta. Hoje tenho muito mais tranquilidade com o meu ontem, com o meu amanhã. E desejo ser mãe, independente. Se não puder, adoto. A gente nunca sabe o que nos espera. Mas o que é nosso está guardado. O importante é saber que a vida é o que somos agora.
Em relação à Inês, sua nova personagem em Boogie Oogie, ela é uma aeromoça da década de 1970… É muito diferente?
Sim. Nos anos 70 as aeromoças eram mulheres bem à frente do seu tempo. Afinal, elas seriam mulheres que viajavam, demoravam a achar um marido. E naquela época a pressão para o casamento era maior. Naquela época não tínhamos essa facilidade de comprar coisas de marca. Quem trazia eram as aeromoças. E estou me familiarizando. Me sinto o John Travolta na novela. Eu gosto de calça de cintura alta, acho mais chique. Sou baixinha, então me favorece. Estou me achando no embalo do sábado a noite.