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Conto hiper-realista Entre Vales fala sobre altos e baixos

Arquivo Geral

05/06/2014 9h00

Planos longos, poucos diálogos e um grande lixão a céu aberto. À primeira vista, o drama Entre Vales, dirigido por Philippe Barcinski (Cidade dos Homens) , não parece muito interessante. Apesar de enganar o espectador mais desavisado, a história protagonizada pelo engenheiro Vicente (Ângelo Antônio), que acaba virando catador de lixo, é daquelas que fazem pensar, refletir: e se fosse comigo?

O filme nos convida a conhecer os dois mundos de Vicente paralelamente. O catador mal-vestido e o engenheiro bem-sucedido que cuida de obras sanitárias ligadas ao lixo vão sendo apresentados pouco a pouco. O engenheiro é casado com uma dentista e pai de Caio. Sua vida desmorona quando ele sofre duas grandes perdas. O personagem fica devastado e passa a viver em um lixão, sem muita dignidade. Lá aprende lições e novos valores.

Atuação

A medida que o tempo passa, o ritmo do filme aumenta, ficando bem parecido com o dos caminhões de lixo que entram e saem do aterro dia após dia. Ângelo Antônio nos presenteia com uma atuação profunda, excepcional. Apesar da previsibilidade no roteiro, o ator segura a história do princípio ao fim. (A.C.)

Três perguntas para o diretor

Entre Vales demorou cinco anos para chegar às telonas. Como surgiu a ideia para o filme? Ficou como você queria?

O clique veio após duas visitas: uma ao Aterro de Gramacho, no Rio, e outra a uma cooperativa de reciclagem. Neste último, quase todas as pessoas que chegavam ali sem nada, se reconstruíram após alguns meses. Vi uma reincidência muito grande de histórias de reconstrução de vidas. Fiquei impressionado com o fato de que o lixo atraía histórias de um lado de perdas e de outro de reconstrução. Então fizemos a história de um homem que segue uma jornada em que perde tudo e se reconstrói.

Como foi a experiência de trabalhar com Ângelo Antônio?

Ângelo Antônio foi logo pensado para o papel. Ele é um ator de grande empatia, capaz de fazer um pai afetivo com muita naturalidade, mas capaz de dar uma virada violenta com muita potência. O que eu não sabia era o grau de entrega e comprometimento dele. Além de grande ator, ele é uma pessoa muito especial, espiritualizada e entregue ao que faz.

Como você define o filme?

Apesar de hiper-realista, o longa também pode ser lido com uma fábula. Uma história sobre perdas e reconstruções, sobre o que faz uma pessoa ser uma pessoa e como ela pode se desfazer e se reinventar. É um filme para homens e mulheres.

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