Raquel Martins Ribeiro
*Especial para o Jornal de Brasília
Berço de atores formados na tradicional Faculdade de Artes Dulcina de Moraes e na Universidade de Brasília, a capital federal abriga novos talentos em lugares inesperados. Companhias independentes em regiões administrativas do Distrito Federal ultrapassam as barreiras impostas pela ausência de apoio governamental. Promovem oficinas gratuitas que incentivam a prática das artes cênicas e disseminam cultura entre os jovens.
Projeto pedagógico pessoal de Daniel dos Santos, ator formado em artes cênicas pela UnB, a companhia Barcaça dos Beltranos, de Santa Maria, completa 13 anos em 2015. Desde sua fundação, o projeto já atendeu mais de 400 alunos. “A nossa cidade é multicultural, tem muitos artistas perdidos. Além de atores, há cantores, instrumentistas e palhaços”, ressalta o arte-educador.
Apresentações
Para o agente cultural, a maior frustração é não poder apresentar os resultados dos estudos e pesquisas na própria cidade, por falta de espaços adequados para encenação. “Ensaiamos na brinquedoteca da Biblioteca Pública de Santa Maria, que não comporta apresentações”, explica o ator, que já levou para os palcos do Plano Piloto espetáculos como O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, encenados pelos alunos formados nos cursos.
Reforma na autoestima
Depois de reformar a antiga Casa do Artesão, no Gama, a companhia Semente de Teatro se prepara para um período de renovação e ampliação das oficinas e cursos oferecidos de graça pelo grupo. “Passamos seis anos pagando aluguel com dinheiro que tirávamos do próprio bolso, apenas por amor à arte”, relembra o fundador Valdeci Moreira.
“Reformamos (a sede atual) e recebemos agradecimentos diários dos moradores. O motivo é termos transformado um lugar que antes abrigava usuários de drogas em um movimentador cultural”, completa.
A companhia já formou mais de 400 atores em suas oficinas. Desde sua criação, em 2009, encenaram 11 espetáculos, entre eles A Revoltas dos Livros, de 2014, e Infinito Vazio, pelo qual a trupe recebeu, no Festival Sesc do Teatro Candango, os prêmios de melhor direção para Ricardo César e de melhor iluminação para Valdeci Moreira.
“Ficamos honrados com o reconhecimento que temos, tanto da comunidade, quanto do meio artístico. Muitas pessoas acham que o que vem das periferias não tem qualidade. Estamos quebrando esse preconceito”, conclui.
Saiba mais
Em 2015, a Barcaça dos Beltranos, de Santa Maria, montará O Santo e a Porca de Ariano Suassuna, com estreia prevista para o segundo semestre.
Recentemente, a trupe anunciou o retorno de O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e O Bem Amado.
Estes trabalhos serão produzidos respectivamente em 2016, 2017 e 2018.
Mais para frente, provavelmente em 2019, a Barcaça tem planos de montar uma obra inédita. Além de remontar a Ghost-oso em 2020, comemorando os 20 anos da estreia do texto, da extinta companhia Zuretta.