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Conheça a história de brasilienses que fazem a diferença na arte

Arquivo Geral

01/04/2015 6h00

Raquel Martins Ribeiro
Especial para o Jornal de Brasília

É notória a importância da sensibilidade feminina nas artes. Na capital federal, elas detêm as rédeas de suas carreiras e ressaltam a necessidade do empoderamento para aumentar o espaço e visibilidade da mulher em todos os segmentos culturais. O mês das mulheres acabou ontem, mas o JBr. sai do clichê e homenageia algumas das artistas brasilienses que movimentam a música, as artes plásticas e a fotografia, levando o nome da cidade Brasil afora.

Com apenas 29 anos, a artista plástica Camila Soato já expôs seu trabalho em cidades como Belém, Rio, São Paulo e Goiânia. Com suas telas, ela chama a atenção para a violência e opressão sofridas por mulheres. “Minha pintura é agressiva, violenta, boca suja e escatológica – adjetivos reservados ao universo masculino.

A brasiliense ganhou notoriedade ao ganhar o PIPA (Prêmio IP Capital Partners de Arte) na categoria Voto Popular Exposição 2013. “Depois disso houve uma repercussão muito grande. Fui convidada a fazer parte da Artur Fidalgo Galeria, no Rio, e da Galeria Zipper, em São Paulo. Expus em lugares fora do Brasil, como Londres e Miami, e agora estou com um projeto arregaço para Berlim”, conta Camila.

“Ainda nos enxergam com adjetivos frágeis. As coisas não são as mesmas para homens e mulheres no mundo, no mercado artístico tão pouco. Mas a luta continua”, conclui a artista, que tem a capital como grande referência para seu trabalho. “É uma alegria ver a produção brasiliense se potencializando. Faço parte disso com muito orgulho”, finaliza.

Instrumentistas

Formada por Júlia Carvalho, Letícia Fialho, Maísa Arantes e Shária Ribeiro, a banda Chinelo de Couro foi criada em 2012. Desde então, passeia pelas noites brasilienses levando ao palco ritmos tradicionais da cultura popular nordestina como o forró, o coco, boi, maracatu, ciranda, caboclinho, rastapé, entre outros. “As pessoas ficam emocionadas, entregues ao show”, conta Letícia Fialho.

Para ela, o que desperta o interesse do público é o fato de poderem conferir mulheres tocando instrumentos, como a rabeca e o cavaquinho. “Estão acostumadas a ver mulheres como cantoras, intérpretes. Se surpreendem quando nos veem empunhando instrumentos e compondo”, ressalta.

Para as musicistas, o forró não é mais um meio musical tão masculino. “Basta lembrar de Marinês e de outras grandes mulheres do forró. O que aconteceu foi que Luis Gonzaga veio a público com mais força. E depois dele, outros homens. Hoje, existem muitos grupos femininos tocando forró. Não acredito que essa questão da visibilidade esteja de todo resolvida, mas aos poucos está mudando. Chinelo é resistência nesse sentido também”, conclui.

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