Cerca de 80 artistas, produtores e fornecedores do setor cultural se reuniram na manhã de ontem na frente do Palácio do Buriti para reclamar contra suposto calote de mais de R$ 40 milhões de dívidas da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal. Regada à música, gritos e indignação, a manifestação protestou contra o atraso do pagamento à classe artística e contra a não-liberação de recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para a realização de novos projetos.
Segundo a classe artística do DF, artistas locais e nacionais, como Claudia Leite, Jorge Ben Jor e Titãs, não receberam os cachês das apresentações realizadas desde março na capital federal. E, com a troca de governo no GDF, no início do ano que vem, temem o atraso de uma solução ou acordo.
Recebidos por assessores da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda, às 15h de ontem, os artistas informaram que o problema teve solução adiada novamente. Uma nova reunião no Palácio do Buriti e manifestação foram remarcadas para o dia 11 de novembro.
Produtor cultural e gestor do Espaço Pé Direito – casa de cultura da cidade –, Pedro Martins esteve presente na reunião. Prejudicado pelo atraso no pagamento, ele mostra sua indignação. “Vão empurrar com a barriga mais uma vez. Artistas que participaram do Porão do Rock e do Latinidades não receberam seus cachês. Artistas locais não conseguem acessar o FAC. Fornecedores de eventos também não receberam. É um caos geral”, lamenta.
A Secretaria de Cultura informou que o decreto assinado pelo governador Agnelo Queiroz proibiu a emissão de notas de empenho para pagar novas despesas, como acontece em todo final de mandato. Já os pagamentos dos eventos dependem da liberação de recursos da Secretaria da Fazenda.