Uma antiga casa de família, agora vazia, vai sendo preenchida por palavras e gestos – lembranças vivas das primas Lúcia e Flora. As recordações que surgem do encontro de duas mulheres maturadas pelo tempo são as protagonistas do espetáculo Ciranda das Horas. As personagens em cena revivem histórias do passado comum e questionam o presente que as distancia. Os dramas pessoais vêm à tona e, com eles, as visões de mundo particulares. As mesmas situações ganham diferentes versões. Isso porque é a memória individual que dá suporte ao entendimento do que é a verdade para cada uma. Os fatos em si são apenas um pretexto para montar – e depois folhear – o álbum de retratos.
As impressões pessoais ganham terreno diante de lembranças de histórias vivenciadas em família. Da infância a juventude, as experiências tiveram como palco a casa da avó. E foi justamente a morte da matriarca da família que motivou a reaproximação entre as duas primas. O encontro registrado no espetáculo acontece logo após o velório da idosa, que se torna presente ao longo de toda a peça por meio de recordações e de áudios com depoimentos em OFF. No contexto encenado, estarão os legados da tradição familiar, em contraponto com a batalha pelos sonhos particulares. A morte de uma geração – representada pela morte da familiar mais velha -, em contraponto com a sobrevivência das gerações – alimentada pelas lembranças em comum.
A peça é inspirada na obra A Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pinkola Estés, e em histórias reais das atrizes Larissa Leite e Juana Miranda, integrantes do elenco. Assim, diversas facetas do universo feminino – incluindo os dramas da velhice e da juventude – tornaram-se alvo de pesquisa para a construção da dramaturgia do espetáculo. Em seu livro, Clarissa defende que a “alma velha” e o “espírito jovem” são forças complementares do feminino: “Juntas, elas simbolizam dois aspectos essenciais encontrados na psique de cada mulher”. Para dar vida ao arquétipo da velha sábia – assumido pela avó de Lúcia e Flora -, as atrizes entrevistaram idosas residentes no DF. Os depoimentos foram gravados, incorporados ao texto da peça e usados como falas da avó das personagens, por meio de áudios em OFF.
O espetáculo Ciranda das Horas inaugura o projeto Memória, que tem como proposta apresentar a importância da memória na construção da identidade. Na inauguração do projeto, estarão em cena as atrizes Juana Miranda e Larissa Leite, que ainda assinam a concepção, a pesquisa e a dramaturgia da peça. A direção é de Rosa Antuña, intérprete e assistente de direção da Cia Mário Nascimento (BH). A estética do espetáculo envolve o estudo e a utilização de partituras corporais, um dos pilares da teoria da antropologia teatral desenvolvida pelo diretor Eugenio Barba, do Odin Teatret (Dinamarca). As integrantes do elenco e a diretora já receberam treinamentos do diretor ou baseados em seus ensinamentos diretos.
Sobre a pesquisa
A Ciranda das Mulheres Sábias
Lançado em 2007, o livro apresenta uma linguagem mágica e poética ao desenvolver temas sobre o feminino e a maturidade. A obra apresenta os encantos do “arquétipo misterioso e irresistível da mulher sábia, do qual a avó é uma representação simbólica”. A autora Clarissa Pinkola Estés é intelectual, psicanalista e poetisa premiada, com livros traduzidos para 32 línguas. Pesquisadora da Wake Forest University (EUA), é conhecida por combinar mitos e histórias com análises de arquétipos e comentários psicanalíticos.
Sobre a direção
Rosa Antuña
A diretora Rosa Antuña é intérprete e assistente de direção e coreografia da Cia Mário Nascimento. Professora de dança contemporânea, improvisação, teatro e voz, criou a oficina Arte-Integrada (dança, música e teatro), que vem sendo ministrada em todo o país por meio do Palco Giratório SESC 2012. Desde 2010, apresenta pelo país como intérprete-criadora o solo Mulher Selvagem, inspirado no livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Ganhou o prêmio de Melhor bailarina no 1º Prêmio Usiminas/Sinparc 2004 (Escambo – Cia MN) e no 14º Prêmio SESC Sated 2009 (Faladores – Cia MN). Já atuou como diretora e coreógrafa de projetos como CEFAR (Escola de Dança do Palácio das Artes, em Belo Horizonte), Escola de Dança Iracema Nogueira (projeto social, em Araraquara, SP), Cristal Cia de Dança (Belo Horizonte, MG) e Grupo Êxtase de Dança (Viçosa, MG). Foi preparadora corporal e coreógrafa no espetáculo Cheiro de Chuva. Criou, escreveu, dirigiu e coreografou o espetáculo De Perfumes e Sonhos.
Sobre o elenco
Larissa Leite
Larissa Leite é atriz e jornalista. Integrou o elenco dos espetáculos teatrais ARS – As Mil Folhas Peladas dos Poemas, A Página em Branco e Medéa – Gaia em Fúria, dirigidos por Luciana Martuchelli. Participou de demonstrações do projeto Physis – Dramatic Bodystorming Training, que pesquisa a antropologia teatral inspirada no trabalho do grupo Odin Teatret, com sede na Dinamarca. A atriz ainda trabalhou na assessoria e produção do workshop Como pensar através de ações, do projeto A Arte Secreta do Ator, ministrado pelo diretor Eugenio Barba e pela atriz Julia Varley, integrantes do grupo escandinavo. No contexto acadêmico, dirigiu o curta-metragem experimental A Dança, no qual também atuou. Na Academia, ainda realizou a co-direção e montagem do curta Espiritualidade, foi co-diretora e atriz no curta Valhacouto e co-diretora em A Casa Fraca. Na formação, estão cursos e workshops de teatro, dança e canto com profissionais como Giovane Aguiar, Mariana Muniz, Fábio Vidal, Carolina Senna, Wilzy Carioca, Patrícia Tavares e Zila Siquet. Atualmente, ainda trabalha com divulgação cultural e educação na revista Brasíliagenda Escola.
Juana Miranda
Juana Miranda é bailarina, atriz e produtora cultural. Em 2009, participou do workshop Odin Week (Dinamarca), do grupo Odin Teatret – dirigido por Eugênio Barba. Desde então, se dedica ao teatro de pesquisa com dramaturgia do grupo. Em 2010, produziu o espetáculo A Despedida, no qual ainda assinou a criação e pesquisa, em parceria com a atriz Hanna Reitsch. A peça foi selecionada para participar do Festival Internacional Cena Contemporânea, em 2011. Desde 2011 é responsável pela CHANG Produções, empresa especializada em projetos culturais. Dentre os últimos trabalhos em produção, estão: projeto sócio-cultural Vamos ao Cinema 2011, show Trampa Sinfonica na sala Villa Lobos do Teatro Nacional, lançamento da revistinha em quadrinhos da Turma da Monica com apresentação dos novos personagens soropositivos Igor e Vitória e temporada comemorativa de 15 anos da Cia. Mário Nascimento no Teatro da Caixa.
FICHA TÉCNICA
Direção: Rosa Antuña
Direção musical: Gustavo T.
Elenco: Juana Miranda e Larissa Leite
Argumento, pesquisa e dramaturgia: Larissa Leite e Juana Miranda
Iluminação: Marcelo Augusto
Cenografia: Bárbara Miranda
Figurino: Nadine Diel
Fotografias: Raquel Pellicano
Produção: Chang Produções
Assessoria de Imprensa: Carretel de Sonhos
SERVIÇO
Espetáculo Ciranda das Horas
Data: 28/11 a 15/12 de 2013
Horário: 21h, de quinta a sábado; e 20h, domingo
Local: Teatro Goldoni (208/209 sul – Entrada pelo eixo L, atrás da parada do Metrô)
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia para estudantes, professores e idosos). A bilheteria abre duas horas antes do início do espetáculo.
Reservas: 3244-3333
Classificação indicativa: 12 anos