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Cinema

“Verão da Lata” traz para as telas a lenda real que virou símbolo dos anos 80

Comédia policial de Santiago Dellape encerrou o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; diretor e elenco falaram ao Jornal de Brasília

Tamires Rodrigues

20/09/2026 12h24

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Foto: Divulgação/Luciana Melo

“Verão da Lata” fez sua première no encerramento do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, antes de chegar aos cinemas de todo o país em novembro. Dirigido por Santiago Dellape, o filme parte de um caso real ocorrido em 1987, quando milhares de latas de maconha apareceram misteriosamente nas praias brasileiras, provocando uma corrida pelo chamado ouro verde.

Na trama, os policiais federais Sandra (Samantha Schmütz) e Brasa (Babu Santana) têm personalidades opostas, mas precisam se unir para investigar a origem da carga que assombra as praias. No caminho, os dois cruzam com traficantes, policiais corruptos, jornalistas, malandros e jovens em busca de sorte fácil, entre eles a caiçara Marina, vivida por Alane Dias, em sua estreia no cinema.

Ao Jornal de Brasília, Santiago Dellape contou o que o levou a transformar um episódio já conhecido do público em um longa de ficção. “O que me fez querer fazer foi quando eu me dei conta de que ninguém nunca tinha feito esse filme antes. É claro que muitas pessoas já tinham tido essa ideia, mas talvez não tiveram o orçamento, porque foi um filme muito caro, recriar uma época 30 anos atrás não é simples. Foi uma dose de loucura, mas também uma coisa muito planejada, que levou muito tempo e muito trabalho”, disse o diretor.

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Foto: Divulgação/Luciana Melo

O tempo de maturação do projeto, aliás, acabou se tornando parte da própria história do filme. “Quando a gente começou a fazer O Verão da Lata, a história tinha 30 anos, e agora já tem 40. Então esse foi o tempo que a gente ficou desenvolvendo esse filme”, completou.

Dellape também explicou como a equipe organizou a narrativa a partir de diferentes grupos de personagens, e por que precisou se afastar de alguns detalhes reais do caso. “A gente desenvolveu isso em núcleos de personagens, são três, basicamente: os policiais que resolvem o caso, os estrangeiros que comandam a operação de tráfico internacional, e os irmãos caiçaras que pescam uma grande quantidade de latas. Mas a gente precisou desvincular muita coisa da realidade, como a bandeira do barco, a nacionalidade do capitão e os nomes, para tentar não levar a nenhum processo”, afirmou.

O diretor ainda destacou a trilha sonora como um dos pontos altos da produção, construída quase inteiramente com músicas de artistas brasileiros da época retratada. “A trilha sonora é um dos pontos altos do filme, tanto as músicas licenciadas quanto a trilha original do Plínio Profeta. A gente se propôs a usar só músicas que já existiam na época, com poucas exceções, e todas de artistas brasileiros. A gente tem muito orgulho disso”, disse.

Sobre o significado de encerrar o festival, Dellape falou sobre a diferença entre estrear fora da disputa competitiva e a expectativa que ainda assim acompanha a sessão. “É uma emoção muito grande poder encerrar o Festival de Brasília. É legal também não estar participando da competição, porque isso tira das costas o peso do filme ter que ganhar. Espero muito que a plateia ria e se divirta”, finalizou.

Elenco fala sobre preparação e estreias

A atriz Samantha Schmütz, que interpreta Sandra, contou ao Jornal de Brasília sobre o tipo de humor que a personagem pediu, diferente do que o público está acostumado a ver dela. “Nesse filme, a gente foi para um outro caminho de humor que o público está mais acostumado a me ver. Realmente sou estridônica, sou caricata, sou exagerada, gosto de ser bem colorida. Mas nesse filme a preparação, o personagem, a linguagem do filme, tudo pedia um outro caminho de humor, tendo graça, mas em outro lugar, com outro colorido. Foi desafiador segurar, fazer o menos, porque, nesse filme, às vezes o menos é mais”, disse a atriz.

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Foto: Divulgação/Luciana Melo

Já Alane Dias vive sua estreia no cinema no papel de Marina, e também interpreta a personagem Sereia. Natural de Belém, no Pará, a atriz falou ao Jornal de Brasília sobre o que representa esse momento em sua carreira. “Uma grande honra mesmo, para mim, vencer na vida é eu começar a fazer o que eu saí da minha casa para fazer. Sou muito apegada à minha cultura em Belém, ao Pará, e a única coisa que me faria mudar de cidade era buscar esse sonho. Hoje eu vou me ver nas telonas pela primeira vez na minha vida, então eu nunca vou esquecer o dia de hoje”, contou.

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Foto: Divulgação/Luciana Melo

Para a atriz, o momento também carrega um significado maior, ligado à representatividade de artistas nortistas no cinema brasileiro. “Eu sou mulher do Norte, que saiu da minha terra em busca de uma oportunidade artística. Tenho total consciência de que a minha experiência foi uma exceção, de que não são todas as pessoas que saem do Norte que conseguem ter esse sucesso profissional. Assim como outras artistas do Norte me inspiraram e abriram caminhos para mim, eu espero também estar podendo abrir caminho para outras artistas que sonham com isso também”, completou.

“Verão da Lata” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 19 de novembro.

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