Dirigido por Carlos Saldanha, 100 Dias acompanha a jornada de sobrevivência e isolamento vivida pelo navegador, que se tornou o primeiro homem a atravessar sozinho o Atlântico Sul a remo.
Para levar a dimensão da viagem às telas, a produção recorreu a equipes finlandesas especializadas em efeitos visuais, design de som, trilha sonora e pós-produção. A colaboração permitiu recriar elementos como o oceano, tempestades e a vida marinha presentes na narrativa.
“Quando digo que é uma coprodução entre Brasil e Finlândia, muita gente se surpreende. Mas a Finlândia reúne um nível impressionante de profissionalismo, comprometimento e qualidade criativa. Foi uma colaboração construída com confiança, paixão pela história e um objetivo comum de fazer o melhor filme possível”, afirma Saldanha.
A aproximação entre as equipes dos dois países começou em 2023, durante o WIFTI (Women in Film and Television International) Summit, realizado em Helsinque. Na ocasião, as produtoras Roosa Toivonen, da Finlândia, e Paula Cosenza, do Brasil, iniciaram a articulação que posteriormente resultaria na parceria para o longa.

A escolha da Finlândia também teve relação com experiências anteriores de Saldanha com profissionais do país. O diretor já havia trabalhado com um animador finlandês durante sua passagem pela Blue Sky Studios, estúdio responsável por produções como A Era do Gelo. Segundo ele, a experiência contribuiu para a aproximação com o mercado finlandês.
“Ele trabalhou comigo em muitos trabalhos da Blue Sky Studios, desde o filme A Era do Gelo, um dos melhores! Ele fez o Blu (da animação Rio, de 2011) sambar perfeitamente!”, conta o diretor.
O oceano como desafio cinematográfico
Em 100 Dias, o oceano ocupa um papel central na construção da narrativa. A recriação das condições enfrentadas por Klink durante a travessia exigiu um trabalho específico de efeitos visuais, especialmente nas cenas que envolvem água e vida marinha.
Entre as empresas envolvidas na pós-produção está a Energia VFX, responsável por algumas das sequências mais complexas do filme. Uma das cenas, que apresenta baleias em alto-mar, foi produzida integralmente na Finlândia.
“A água é um dos elementos mais complexos de recriar em efeitos visuais e, em 100 Dias, o oceano é praticamente um protagonista. Nosso desafio foi fazer com que cada cena transmitisse a força, a escala e a imprevisibilidade do Atlântico sem que o público percebesse onde terminava o real e começava o digital. Esse resultado só foi possível graças à combinação da expertise técnica das equipes finlandesas com a visão criativa da produção brasileira”, afirma Petri Kemppinen, CEO da Good Hand Film & TV.
A trilha sonora original foi composta pelo finlandês Tuomas Kantelinen, compositor premiado que integra a equipe internacional responsável pela produção.

Nova fase na carreira de Carlos Saldanha
Conhecido por dirigir e participar de produções de animação como A Era do Gelo e Rio, Carlos Saldanha assume com 100 Dias uma narrativa baseada em uma história real e centrada em sobrevivência, resiliência e autodescoberta.
O longa é produzido por Ventre Studio, Boipeba Filmes, Trema, O2 Filmes, Buena Vista International e Totalpost Finland, em associação com Good Hand Film & TV.
A produção também representa uma mudança de escala para o cinema brasileiro, segundo Saldanha, especialmente pelo uso de efeitos visuais para construir uma narrativa ambientada em alto-mar.
“É a primeira vez que fazemos um filme no Brasil com esse nível de efeitos visuais e essa escala narrativa, fugindo dos clichês normalmente associados a esse tipo de produção”, afirma.
A estreia de 100 Dias nos cinemas brasileiros está prevista para 29 de outubro de 2026.
Confira o trailer: