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Brasil

7 de Setembro: Lula participa de desfile na Esplanada e Flávio Bolsonaro faz ato contra Moraes na Paulista

Presidente evita politização da data enquanto senador muda lema do ato para “Fora Lula, Fora Moraes” após revelações sobre conversas entre Moraes e Vorcaro

Redação Jornal de Brasília

07/09/2026 6h46

desfile 7 setembro 2025

Desfile 7 setembro 2025. – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Na segunda-feira em que o país marca 204 anos de independência, o calendário político condensa dois movimentos opostos. De um lado, o Palácio do Planalto tenta blindar a cerimônia oficial de qualquer verniz eleitoral. De outro, a oposição bolsonarista transforma o feriado em ponto de encontro para pressionar o Judiciário e o governo.

Na Esplanada dos Ministérios, o desfile cívico-militar que reúne Lula segue um roteiro pensado para não deixar brechas jurídicas. Com abertura às 9h e cerca de duas horas de duração, a solenidade gira em torno de três frentes: a defesa da soberania nacional, o combate à violência contra mulheres e a preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, além da apresentação de rotina das Forças Armadas.

O lema escolhido, “Soberania: A Força que Une o Brasil”, conversa diretamente com a queda de braço recente entre Brasília e Washington em torno de tarifas comerciais, episódio que o próprio presidente vem usando para sustentar a ideia de um país que resiste a pressões externas. A organização também planeja incluir, no trajeto, jogadoras que integraram a primeira seleção feminina de futebol do Brasil, além de faixas alusivas à luta contra a violência de gênero. Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes do primeiro escalão do governo devem acompanhar o evento, que é aberto à população.

O cuidado com a neutralidade não é casual. Toda a estrutura da cerimônia passou pelo crivo da Advocacia-Geral da União, hoje chefiada por Jorge Messias, justamente para evitar que a oposição recorra à Justiça Eleitoral alegando uso da data em benefício da candidatura à reeleição. Por isso, a orientação informal que circula entre ministros e apoiadores é simples: nada de vermelho, nada de adesivos com o número 13 nas imediações do desfile.

O receio tem histórico recente. Em 2023, o TSE puniu Jair Bolsonaro por abuso de poder político e econômico justamente por causa das comemorações do Bicentenário da Independência, em 2022, tornando-o inelegível, junto com o general Walter Braga Netto, até 2030. Antes disso, ambos já haviam recebido pena semelhante por causa de um encontro no Palácio da Alvorada com diplomatas estrangeiros; como as sanções não se somam, o prazo final de inelegibilidade não mudou.

Uma avenida, um recado

Em São Paulo, a Avenida Paulista volta a ser ocupada por apoiadores da direita a partir das 15h, num ato que já teve nome trocado às pressas. O slogan inicial, “É Agora ou Nunca”, cedeu lugar a um lema mais direto, “Fora Lula, Fora Moraes”, depois que vieram à tona, ainda esta semana, trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Quem lidera a convocação é o senador Flávio Bolsonaro, que repete um roteiro conhecido: a mesma avenida onde o pai reuniu multidões em datas cívicas anteriores. Auxiliares do senador enxergam no episódio Vorcaro-Moraes uma chance de injetar ânimo numa militância que, segundo avaliações internas, ainda não voltou a se mobilizar no volume visto em campanhas passadas, nem mesmo depois do ato de lançamento de candidatura em Copacabana.

Moraes carrega, para esse público, o status de principal adversário institucional do bolsonarismo: foi ele quem relatou o processo que levou à condenação e à prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Com o sigilo derrubado sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das conversas com Vorcaro, Flávio intensificou o discurso, passando a cobrar publicamente a saída do ministro do cargo e a instauração de apurações sobre sua conduta.

Ainda assim, aliados reconhecem que o barulho em torno de Moraes acabou ofuscando outro assunto incômodo para a campanha: o andamento das investigações sobre o filme Dark Horse. A ligação do senador com Vorcaro segue sendo tratada, nos bastidores, como um risco político que não desapareceu, apenas perdeu espaço temporariamente no noticiário. A Polícia Federal apura o destino de recursos usados na produção, com autorização do ministro André Mendonça, enquanto uma segunda frente, sob condução de Flávio Dino, mira o uso de emendas parlamentares ligadas à produtora do projeto.

Terceira via também ocupa as ruas

Fora do embate entre Lula e Flávio, outros candidatos aproveitam o feriado para aparecer. Augusto Cury, do Avante, que vem subindo em pesquisas recentes, organiza uma caminhada na orla de Copacabana: concentração às 9h no Posto 6, seguida de trio elétrico até o Posto 5, onde deve discursar a apoiadores num evento batizado de “Caminhada da Independência Cury Brasil”.

Ronaldo Caiado (PSD) deve concentrar sua agenda em Goiás, base política onde governou, enquanto Romeu Zema (Novo) programou um ato em São Paulo, sem detalhes divulgados até o fechamento desta nota. Já a campanha de Renan Santos (Missão) não confirmou participação em nenhuma atividade pública para o feriado.

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