A cerimônia de premiação da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, neste sábado (19) no Cine Brasília, encerrou nove dias de programação que reuniram mais de 30 mil espectadores. A mostra de cinema mais antiga em atividade contínua no país, esta edição reuniu sete longas e doze curtas na disputa da Mostra Competitiva Nacional, selecionados entre quase 2 mil obras inscritas, além das premiações da Mostra Brasília e da Mostra Caleidoscópio.
O Troféu Candango de Melhor Longa Metragem pelo Júri Oficial, principal prêmio da Mostra Competitiva Nacional, ficou com “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira. É a segunda vez que o diretor mineiro leva o prêmio máximo do festival, depois de “Temporada”, em 2018, e seu quarto longa exibido em Brasília. O filme também venceu como Melhor Roteiro, repetindo o feito de 2023 com “O Dia Que Te Conheci”, além de Melhor Figurino, e o júri concedeu ainda uma menção honrosa aos protagonistas Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira.

Ao subir ao palco para receber o prêmio de Melhor Roteiro, André Novais Oliveira agradeceu à equipe da Filmes de Plástico. “Meu desejo sempre foi trabalhar com cinema, por isso sinto uma imensa felicidade nesta ocasião. Agradeço ao Júlio, ao Cornelinho e a toda a equipe da Filmes de Plástico, e agradeço especialmente ao Chique, cuja atuação foi essencial para este projeto. Dedico este prêmio ao meu pai”, disse o diretor.
Já ao receber o Candango de Melhor Longa Metragem, André voltou a agradecer a equipe e refletiu sobre os riscos do projeto. “É um prazer imenso estar aqui neste festival e nesta cidade que o acolhe. Sei que este é um projeto ousado, que traz consigo certos riscos, mas aprendi que a disposição para arriscar é um exercício libertador, que nos permite fluir em meio às nossas diferenças”, afirmou.
“Pequenas Tragédias” leva a maioria dos prêmios técnicos
Embora tenha ficado de fora da categoria principal, “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, foi o filme mais premiado da noite, levando os troféus de Melhor Direção, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator, para Guilherme Théo, além do Prêmio Abraccine de Melhor Longa Metragem.
Ao vencer como Melhor Direção, Daniel Nolasco dedicou o prêmio às políticas públicas de incentivo à cultura que possibilitaram sua trajetória. “Como diretor e realizador, reitero que sou fruto das políticas públicas de incentivo à cultura. Minha trajetória profissional não seria possível sem a descentralização da produção cinematográfica. Para alguém que nasceu na zona rural de Catalão, Goiás, e é filho de uma costureira, a oportunidade de trabalhar com cinema seria inalcançável sem esse suporte”, disse o diretor.

Guilherme Théo, eleito Melhor Ator, dedicou o prêmio ao marido e à mãe, já falecida. “Dedico este prêmio ao meu marido, Zé, que está presente nesta noite, amo você, este prêmio é nosso. Dedico este reconhecimento também à minha mãe. Embora ela já não esteja entre nós, sinto que ela me acompanha de outra forma. Mãe, veja onde o seu filho chegou”, declarou o ator, que encerrou a fala saudando o cinema queer e o cinema brasileiro.

Ainda na Mostra Competitiva, “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira, levou os prêmios de Melhor Fotografia e Melhor Edição de Som, enquanto “Privadas de Suas Vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, venceu como Melhor Direção de Arte e teve Martha Nowill eleita Melhor Atriz, com Olivia Torres dividindo o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante com Aivan, de “Pequenas Tragédias”. Lucas Leto foi eleito Melhor Ator Coadjuvante por “Todo o Sentimento”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio.

Ao receber o Candango de Melhor Atriz, Martha Nowill relembrou sua relação de longa data com o festival. “Minha relação com o Festival de Brasília é antiga. Minha primeira experiência aqui foi aos 18 anos, ainda estudante de cinema. Receber este Candango, meu primeiro prêmio de melhor atriz protagonista no Brasil, é um marco significativo tanto para a trajetória do filme quanto para a minha carreira”, disse a atriz, que dedicou o prêmio à personagem Malu e a todas as mães artistas.
Júri Popular escolhe “Tudo é Tempo” como melhor longa
Enquanto o júri oficial coroou “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, o público elegeu “Tudo é Tempo”, documentário de Marcos Guttmann, como o melhor longa metragem da Competitiva Nacional. O filme também recebeu o Prêmio Especial do Júri, o Troféu Saruê, concedido pela equipe do jornal Correio Braziliense, e um prêmio de R$ 30 mil oferecido pela Petrobras ao melhor longa eleito pelo Júri Popular.
Ao ser anunciado vencedor, Marcos Guttmann destacou o significado de uma premiação vinda do público. “Sinto me profundamente honrado e gratificado por esta distinção. Receber um prêmio do público é a validação de que a obra cumpriu o seu propósito de estabelecer uma conexão genuína com os espectadores. É, portanto, um reconhecimento extremamente especial”, afirmou o diretor.
Outros dois prêmios de longa metragem completaram a noite: “Ana, En Passant”, animação de Fernanda Salgado, venceu o Prêmio Zózimo Bulbul de Melhor Filme Longa Metragem, concedido pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (Apan) e pelo Centro Afrocarioca de Cinema, enquanto o Prêmio Marco Antônio Guimarães, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, foi entregue a “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha”, de Luis Abramo e Pedro Rossi.
“Cana” é eleito o melhor curta metragem da noite
Entre os curtas da Mostra Competitiva Nacional, o grande vencedor pelo júri oficial foi “Cana”, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro, que também levou os prêmios de Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator, para Gerin Black, o Prêmio Abraccine de Melhor Curta Metragem e o Prêmio Canal Brasil.
“Fundura”, de Catapreta, arrematou os troféus de Melhor Direção, Melhor Edição de Som e Melhor Direção de Arte. “Gastronomia do Olho”, de Nicolau, venceu como Melhor Fotografia e Melhor Roteiro. “Futuro Decadance”, de Leviathan, levou Melhor Montagem, Melhor Figurino e Melhor Atriz. Já o preferido do público foi “Lagoa do Abandono”, de Diego Maia.
“Mariposa”, de Alexandre Américo e Pedro Vitor, recebeu Menção Honrosa e o Prêmio Zózimo Bulbul de Melhor Filme Curta Metragem, enquanto “Tiró e a Onça”, de Wera Poty, levou o Prêmio de Melhor Filme de Temática Afirmativa, conferido pelo Conselho Distrital de Políticas de Igualdade Racial em parceria com a Aicon, com valor de R$ 10 mil.
Mostra Brasília e Mostra Caleidoscópio também têm seus vencedores
Na Mostra Brasília, que distribuiu R$ 298 mil em prêmios do 29º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal, o grande vencedor foi “Onde Moram os Irmãos”, de Marisa Mendonça, eleito melhor longa metragem tanto pelo Júri Oficial quanto pelo Júri Popular. Entre os curtas, “Dora”, de Murilo Abreu, levou o Candango de melhor filme, com Micheli Santini também premiada como Melhor Atriz pela mesma obra, enquanto o Júri Popular escolheu “Hacker Leonilia”.
Ainda na Mostra Brasília, “Mapas”, de Rafael Lobo, venceu Melhor Direção e Melhor Direção de Arte, com Nadine Diel; “Ar Dor”, de Mike Peixoto, levou Melhor Edição de Som e Melhor Fotografia; “A Arte Perdida da Lombada”, de Arthur Gonzaga, venceu Melhor Montagem; “Nem Todos Sabem”, de João Tomé, levou Melhor Trilha Sonora; “Impostor”, de Lupe Leal, venceu Melhor Ator; e “Madre”, de Talita Carvalho, foi premiado com Melhor Roteiro.
Já na Mostra Caleidoscópio, julgada por um júri internacional em parceria com a Federação Internacional de Críticos de Cinema, o Troféu Candango de melhor filme foi para “Os Fantasmas Gentis”, de Caetano Gotardo. O Júri Jovem da UnB escolheu como seu favorito, agraciado com o Prêmio Jean Claude Bernardet, “Mulheres do Bando”, de Thamires Vieira.
LISTA COMPLETA DE PREMIADOS
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – TROFÉU CANDANGO
Curta-metragem
Melhor Curta-Metragem – Júri Oficial: Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro
Melhor Curta-Metragem – Júri Popular: Lagoa do Abandono, de Diego Maia
Melhor Direção: Catapreta, por Fundura
Melhor Roteiro: Nicolau, por Gastronomia do Olho
Melhor Atriz: Leviathan, por Futuro Decadance
Melhor Ator: Gerin Black, por Cana
Melhor Fotografia: Gabriel Lucena, por Gastronomia do Olho
Melhor Direção de Arte: Catapreta, por Fundura
Melhor Figurino: Leviathan, por Futuro Decadance
Melhor Trilha Sonora: Daniel Rone Guilherme Xavier, por Cana
Melhor Edição de Som: Daniel Nunes, por Fundura
Melhor Montagem: Leviathan (AL), por Futuro Decadance
Prêmio Abraccine – Melhor Longa-Metragem: Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco
Longa-metragem
Melhor Longa-Metragem – Júri Oficial: Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira (MG)
Melhor Longa-Metragem – Júri Popular: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Melhor Direção: Daniel Nolasco (GO), por Pequenas Tragédias
Melhor Roteiro: André Novais Oliveira (MG), por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Melhor Atriz: Martha Nowill, por Privadas de Suas Vidas (RS)
Melhor Ator: Guilherme Théo, por Pequenas Tragédias
Melhor Atriz Coadjuvante: Aivan, por Pequenas Tragédias, e Olivia Torres, por Privadas de Suas Vidas
Melhor Ator Coadjuvante: Lucas Leto, por Todo o Sentimento (BA)
Melhor Fotografia: Victor de Melo, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Direção de Arte: Juliana Lobo, por Privadas de Suas Vidas (SP)
Melhor Figurino: Diana Moreira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia (MG)
Melhor Trilha Sonora: Daniel Nolasco, por Pequenas Tragédias
Melhor Edição de Som: Lucas Coelho, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Montagem: Luciano Carneiro, por Pequenas Tragédias (GO)
Prêmio Abraccine – Melhor Curta-Metragem: Cana, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP)
MOSTRA BRASÍLIA – 29º TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor Longa-Metragem – Júri Oficial: Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça
Melhor Curta-Metragem – Júri Oficial: Dora, de Murilo Abreu
Melhor Longa-Metragem- Júri Popular: Onde Moram os Irmãos, de Marisa Mendonça
Melhor Curta-Metragem – Júri Popular: Hacker Leonilia
Melhor Direção: Rafael Lobo, por Mapas
Melhor Roteiro: Talita Carvalho, por Madre
Melhor Atriz: Micheli Santini, por Dora
Melhor Ator: Lupe Leal, por Impostor
Melhor Fotografia: Petrônio Neto e Nicolau, por Ar-Dor
Melhor Direção de Arte: Lucas Gehre e Nadine Diel, por Mapas
Melhor Trilha Sonora: João Tomé, por Nem Todos Sabem
Melhor Edição de Som: Bernardo Paixão, por Ar-Dor
Melhor Montagem: Arthur Gonzaga, por A Arte Perdida da Lombada
MOSTRA CALEIDOSCÓPIO
Prêmio Fipresci – Melhor Filme pela Crítica Internacional: Os Fantasmas Gentis, de Caetano Gotardo
Prêmio Jean-Claude Bernardet (Júri Jovem UnB): Mulheres do Bando, de Thamires Vieira
PRÊMIOS ESPECIAIS
Prêmio Especial do Júri: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Troféu Saruê: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Menção Honrosa – Longa: Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Menção Honrosa – Curta: Mariposa
Melhor Filme de Temática Afirmativa (Prêmio Codipir): Tiró e a Onça, de Wera Poty
Prêmio Zózimo Bulbul – Melhor Filme Longa-Metragem: Ana, En Passant, de Fernanda Salgado (MG)
Prêmio Zózimo Bulbul – Melhor Filme Curta-Metragem: Mariposa, de Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN)