Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por João Pedro Carvalho
Quando as luzes do cinema se apagam e o filme começa, a atenção do público se volta para a tela. Fora do glamour, porém, o trabalho está longe de terminar.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro movimentou não apenas as salas de exibição, mas também uma equipe que começa a se preparar antes mesmo da chegada dos espectadores.
Entre ingressos, filas, orientações e o cheiro de pipoca que toma conta do espaço, trabalhadores que atuam no festival vivem uma rotina diferente durante os dias do evento. Para eles, a programação cinematográfica também significa aumento no movimento e uma expectativa que começa antes da abertura das portas.
É o caso do vendedor de pipoca José Arimathéia, conhecido como “Seu Ari”. A preparação para uma noite de festival envolve abastecer o estoque, organizar os produtos e deixar tudo pronto para atender o público nos horários de maior movimento.
“É uma preparação diferente de um dia normal. A gente sabe que vai ter mais gente, então precisamos chegar mais cedo e deixar tudo organizado. Quando começa a sessão, o movimento aumenta bastante”, conta Ari.

A expectativa pelo evento também faz parte da rotina. Segundo ele, os dias de festival são aguardados com atenção porque representam uma mudança no fluxo habitual de clientes.
“Quando chega o festival, a gente já fica esperando. É um período em que Brasília recebe muita gente interessada em cinema. Tem quem venha assistir aos filmes e já passe para comprar uma pipoca. A gente também faz parte da experiência”, afirma José.
Antes do filme começar
Se o pipoqueiro prepara o que será consumido durante a sessão, a bilheteira tem outro papel essencial para que o público consiga chegar até ela. Antes da abertura das salas, é preciso conferir ingressos, organizar filas e orientar os espectadores.
Para Amanda Soares, que trabalha na bilheteria, os dias de festival exigem atenção redobrada. O fluxo de pessoas pode mudar de acordo com a programação, e os horários próximos ao início das sessões costumam concentrar o maior movimento.
“Antes de abrir, a gente tem que conferir tudo: os ingressos, os horários das sessões e as informações que precisam ser passadas para o público. Quando começa a chegar muita gente, é preciso ter atenção para conseguir atender todo mundo”, relata a bilheteira.

A profissional também destaca que o festival é esperado por quem trabalha no local. “A gente cria uma expectativa maior porque sabemos que serão dias diferentes. Tem mais público, mais movimento e pessoas que vêm especificamente para o festival. É cansativo, mas também é interessante acompanhar toda essa movimentação”, diz.
“Fazem o festival“
Para Mateus Andrade, que acompanha o cinema de perto, as presenças de Marivaldo e Amanda fazem parte da experiência. O contato com a bilheteira, a espera pela sessão e a pipoca fazem parte do ritual de assistir a um filme.
“Quando a gente pensa em cinema, normalmente lembra dos filmes, dos atores e dos diretores, mas existe todo um trabalho antes de a sessão começar. O bilheteiro e o pipoqueiro também fazem parte dessa experiência”, afirma Mateus.
Durante o Festival de Brasília, esse trabalho ganha ainda mais destaque diante do movimento de espectadores que passam pelo espaço ao longo da programação.
“Eles ajudam a criar aquele clima que a gente associa a uma noite de cinema. O público vai lembrar dos filmes que assistiu, mas também pode lembrar da fila, do ingresso, do cheiro da pipoca e de toda a experiência. Essas pessoas também fazem parte da história do cinema”, completa Mateus.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira