O filme de terror de baixo orçamento “Obsessão”, do estreante Curry Baker, caminha para se tornar um dos filmes mais lucrativos da história, após ter arrecadado mais de 400 milhões de dólares (2 bilhões de reais) em todo o mundo.
Após ser exibido no Festival de Toronto no ano passado e estrear nos cinemas no início de maio, a produção se tornou um fenômeno nos últimos dois meses, sobretudo entre o público da geração Z.
Este sucesso catapultou Barker, de 26 anos, de criador de vídeos no YouTube a um dos grandes nomes de Hollywood, com um longa-metragem que custou entre 750 mil e um milhão de dólares (3,8 milhões e 5 milhões de reais, na cotação atual).
“Em termos de proporção entre a bilheteria mundial e o orçamento de produção, ‘Obsessão’ será o maior sucesso de todos os tempos, o que é extraordinário”, disse à AFP Bruce Nash, fundador do site especializado The Numbers.
O filme, que conta a história de um jovem que utiliza um amuleto para fazer com que sua amiga de infância – seu amor platônico – se apaixone por ele, já alcançou mais de 430 milhões de dólares (2,2 bilhões de reais) em todo o mundo, superando o thriller “A Bruxa de Blair” (1999), que teve orçamento de 600 mil dólares (1 milhão de reais, na cotação da época) e arrecadou cerca de 250 milhões de dólares (454 milhões de reais), segundo Nash.
De modo geral, as grandes produções de Hollywood como “Avatar”, “Frozen” e “Titanic” registraram bilheterias muito superiores, mas também necessitaram orçamentos colossais.
– Do YouTube às telonas –
Barker superou a bilheteria de outro fenômeno do mesmo segmento este ano: “Backrooms”, de Kane Parsons, de 20 anos, que teve um retorno de 360 milhões de dólares (1,8 bilhão de reais) com um orçamento de aproximadamente 10 milhões de dólares (51 milhões de reais).
Ambos os filmes estão entre as 10 maiores bilheterias de 2026, o que reflete o interesse do público jovem pelo gênero e marca o início do que se projeta como uma nova tendência: criadores de conteúdo nas redes sociais que deram um salto às telonas.
Estes diretores “são uma esperança para o futuro do cinema”, afirmou recentemente o cineasta Christopher Nolan à imprensa na apresentação de sua megaprodução “A Odisseia”, em Paris.
Barker se mudou de sua cidade natal, Mobile, no Alabama, para Los Angeles após terminar o ensino médio, com a ideia de estudar cinema e se formar como ator.
Após empregos em lanchonetes e cafés, conseguiu um pequeno papel na série “It’s Always Sunny in Philadelphia” e trabalhou supervisionando protocolos sanitários durante a pandemia de covid-19 em outra produção.
Em paralelo, ele e seu colaborador Cooper Tomlinson testavam conteúdo online, entre esquetes no TikTok e no Instagram e curtas de terror como “The Chair” em seu canal no YouTube “that’s a bad idea”.
“Nesse período, você aprende a dominar o ritmo, descobre truques, entre eles como captar a atenção de alguém nos primeiros três segundos”, afirmou Barker no podcast The Big Picture.
O jovem diretor já tem vários projetos em andamento: um segundo longa-metragem, “Anything But Ghosts”, em que ele mesmo atua ao lado de Tomlinson. Também comandará uma nova versão do clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974).
“Tenho muita coisa a ponderar e é daí que vem realmente o estresse. Não sei o que fazer depois”, disse à The Hollywood Reporter.
AFP