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Cinema

No Festival de Brasília, Kleber Mendonça Filho defende políticas de cultura em ano eleitoral

Em entrevista ao Jornal de Brasília, cineasta citou o escândalo financeiro envolvendo o filme “Dark Horse” ao falar sobre o fomento estatal ao audiovisual

Tamires Rodrigues

12/09/2026 23h50

kleber mendonça filho

Foto: Divulgação/FBCB

Durante a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, neste sábado (12), o cineasta Kleber Mendonça Filho falou ao Jornal de Brasília sobre a importância das políticas públicas de audiovisual em um ano marcado por eleições. Para o diretor, o debate sobre o papel do Estado no fomento à cultura ganha peso especial no atual momento político do país.

“Neste ano eleitoral, é fundamental refletir sobre a relevância das políticas públicas voltadas ao setor audiovisual. A Constituição Brasileira estabelece o dever do Estado de fomentar a produção, a divulgação e a difusão cultural, um modelo de proteção e incentivo que é frequentemente admirado por profissionais de países como os Estados Unidos, justamente por se assemelhar aos sistemas francês e europeu de apoio governamental à cultura”, disse Kleber Mendonça Filho.

O caso “Dark Horse”

Durante a entrevista, o cineasta também citou o escândalo financeiro envolvendo o filme “Dark Horse” (cinebiografia ficcional que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro), para contrastar diferentes modelos de gestão de recursos públicos voltados à cultura. Para Kleber, o episódio expõe uma contradição diante de sistemas de fomento mais estruturados, como o brasileiro.

“É, portanto, contraditório que um país com mecanismos tão bem estruturados, pautados por rigorosas normas fiscais e de responsabilidade administrativa, enfrente um episódio tão crítico quanto o ocorrido com o filme Dark Horse. Este caso representa a antítese dos princípios de gestão pública cultural”, afirmou ao Jornal de Brasília.

O diretor ainda destacou a contradição de setores políticos de extrema direita estarem associados a esse tipo de escândalo. “É notável que correntes políticas ligadas à extrema direita se vejam envolvidas em um escândalo financeiro desta natureza, justamente no país que possui um dos sistemas de fomento cultural mais organizados e consolidados, estruturado por meio de suporte federal, estadual e municipal”, completou Kleber Mendonça Filho.

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