Com estreia marcada para 13 de agosto, “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles e produzido por Nilson Rodrigues, revisita a vida do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) por meio de uma narrativa que combina documentário e ficção, reunindo documentos históricos, depoimentos e interpretações dramáticas, entre elas a de Bruno Gagliasso.
Aluno da Universidade de Brasília (UnB) e uma das vozes mais influentes do movimento estudantil brasileiro, Honestino foi preso cinco vezes em razão de sua militância política. Em outubro de 1973, aos 26 anos, foi sequestrado por agentes da repressão e nunca mais foi visto. Seu nome integra a lista dos desaparecidos políticos da ditadura militar, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado no período.

O filme reconstrói essa trajetória a partir de um amplo material documental, reunindo cartas escritas pelo próprio Honestino, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos, políticos e companheiros de militância. Entre os entrevistados estão o ex-ministro Almino Afonso, o cineasta Jorge Bodanzky, o jornalista Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. A diversidade de relatos busca apresentar não apenas a dimensão política da atuação de Honestino, mas também aspectos de sua vida pessoal, revelando o jovem por trás do símbolo histórico.
Ao optar por fundir linguagem documental e elementos ficcionais, Aurélio Michiles transforma a narrativa em uma reflexão sobre o impacto da repressão política na história brasileira. Honestino propõe uma reconstrução da memória de um personagem cuja ausência permanece como uma das marcas mais profundas da ditadura.

A história do ex-presidente da UNE também dialoga com a de outras vítimas da repressão política. Durante os anos mais duros do regime militar, diversos opositores desapareceram ou morreram sob custódia do Estado, em episódios que posteriormente se tornaram símbolos da violação sistemática dos direitos humanos.
Entre eles está o ex-deputado federal Rubens Paiva, preso em janeiro de 1971 e desaparecido após ser levado por agentes da repressão; José Carlos da Mata Machado, estudante de Direito, vice-presidente da UNE e militante da Ação Popular Marxista-Leninista, morto sob tortura em 1973; e o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975. Embora cada trajetória tenha suas particularidades, todas evidenciam estratégias de ocultação da verdade utilizadas pelo regime, como desaparecimentos forçados, laudos falsificados e investigações interrompidas, mecanismos que dificultaram por décadas a reconstrução da história brasileira.
É nesse contexto que Honestino se insere. O longa resgata a trajetória de um líder estudantil e também a necessidade de preservar a memória sobre um período marcado por prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos políticos.

Antes mesmo da estreia comercial, a produção já recebeu reconhecimento em importantes festivais nacionais. O longa conquistou o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos, além de ter sido premiado no Fest Aruanda.
Com a participação de Bruno Gagliasso em cenas dramatizadas que dialogam com o vasto material documental, Honestino chega aos cinemas cercado de expectativa não apenas por seu valor cinematográfico, mas também pela relevância histórica de trazer novamente ao centro do debate um dos capítulos mais dolorosos da história recente do país.