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Cinema

Gatola da Cartola retorna como animação 23 anos após um live-action polêmico

O filme encerra um desconforto de 20 anos entre a Dr. Seuss Enterprises, empresa que gerencia a obra do escritor morto em 1991

Redação Jornal de Brasília

06/11/2026 9h35

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Foto: Divulgação

ALESSANDRA MONTERASTELLI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

“O Gatola na Cartola” é um dos livros mais celebrados da literatura infantil. Seu protagonista, um gato antropomorfo e fanfarrão de cartola listrada, se tornou símbolo da cultura pop mundial e criação principal do autor Dr. Seuss. Apesar da popularidade, o personagem nunca ganhou um filme de animação próprio para os cinemas em quase 70 anos.

Esse vácuo é interrompido por “O Gatola da Cartola”, que estreia nesta quinta-feira (5). O filme encerra um desconforto de 20 anos entre a Dr. Seuss Enterprises, empresa que gerencia a obra do escritor morto em 1991, e Hollywood. O novo longa tem também a tarefa de atualizar o Gatola para uma nova geração de crianças, além de testar o apelo comercial do personagem em uma indústria mais dependente de franquias consagradas.

Na história original de Seuss, o gato gigante invade a casa de duas crianças entediadas para animá-las. Ele é acompanhado por dois monstrinhos serelepes, Coisa Um e Coisa Dois. Eles fazem uma grande bagunça e arrumam tudo antes da chegada dos pais. No filme, a premissa segue a mesma, mas o Gatola ganha uma história pessoal.

É apresentado um mundo mágico paralelo onde o personagem vive. É para lá que o Gatola vai quando termina de divertir as crianças. Ele trabalha para uma empresa especializada em entreter os pequenos, mas corre o risco de ser demitido por fazer muita bagunça em suas missões, o que gera prejuízo.

Os tempos ficaram difíceis até para o Gatola. Além da cobrança do chefe, as crianças exigem peripécias ainda mais megalomaníacas para desviarem a atenção das telinhas de celular. “Queríamos atualizar a história para os dias de hoje”, diz Alessandro Carloni, diretor de “O Gatola da Cartola” ao lado de Erica Rivinoja.

Aumentar o mundo de Seuss deu trabalho, já que o livro, escrito e ilustrado em 1957, tem apenas 230 palavras. A ideia era mitigar a baixa alfabetização infantil nos Estados Unidos com uma história cativante. O traço minimalista e cativante de Seuss, somado à personalidade anárquica do Gatola, fez da obra um sucesso de vendas. A narrativa revolucionou o mercado editorial ao provar que livros educativos para leitores iniciantes podiam ter personalidade.

A desavença com o cinema começou em 2003, com o live-action “O Gato”. Os avanços tecnológicos da década permitiram a adaptação de vários desenhos para o mundo real, como aconteceu com “Scooby-Doo”, “Speed Racer” e o próprio Grinch, o monstro verde amargurado de Seuss. Coube ao ator Mike Myers encarnar o Gatola.

Mas o filme de Bo Welch não agradou à criançada. Recheado de piadas de duplo sentido e com um visual bizarro, o Gatola em carne, osso e pelos falsos se afastou do público infantil e foi classificado pela crítica como inapropriado.

O resultado desagradou, inclusive, à viúva de Dr. Seuss, Audrey Geisel. Ela proibiu novas adaptações em live-action. Nas décadas seguintes, o gato de cartola protagonizou apenas séries educativas para a televisão.
Era um desfecho insosso para o personagem carismático. O Gatola, afinal, marcou gerações de americanos entre sua criação e a última animação curta lançada para a televisão, em 1982, “The Grinch Grinches the Cat in the Hat”. A trama de 25 minutos juntava o Gatola e o Grinch de forma inédita, e foi coroada com o Emmy.

Em 2012, após lançar a animação “O Lorax”, também criada por Seuss, o estúdio Illumination, de “Os Minions”, anunciou que adaptaria o “Gatola da Cartola” para a telona. O projeto, porém, foi cancelado e assumido pela Warner Bros. em 2018.

“Queríamos que o Gatola continuasse atemporal”, diz Carloni, o diretor. Segundo ele, esse foi um pedido da Seuss Enterprises. As crianças viciadas em telas aparecem só no começo do filme, e depois o protagonista parte para outra casa. O longa desenvolve uma história mais emocional e menos preocupada em abordar temas pungentes para as crianças de hoje.

A missão principal do Gatola é divertir a adolescente Gabby, revoltada com a mãe por mudar de cidade, e seu irmão, Sebastian. Mas o gato perde o “Volta Atrás”, um relógio com poder de voltar no tempo que atiça um monstro monumental.

Para procurar o objeto, o bicho usa mágica para mergulhar em caixas pertencentes a cada membro da família, que funcionam como portais para universos fantasiosos ligados à personalidade de cada um. Conforme o Gatola e as crianças viajam, Gabby amadurece e sente mais empatia pela mãe. “Nos perguntamos se o Gato é apenas um palhaço e um artista, ou se, no fundo, ele é um grande psicólogo infantil”, diz Carloni.

O GATOLA DA CARTOLA

  • Onde Nos cinemas
  • Classificação 6 anos
  • Produção Estados Unidos, 2026
  • Direção Alessandro Carloni e Erica Rivinoja

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