Oito entidades do audiovisual brasileiro lançaram a Bancada da Pipoca, iniciativa apartidária criada para identificar e divulgar candidaturas comprometidas com o desenvolvimento do cinema e do audiovisual no país. A plataforma reúne candidatos à Presidência da República, ao Senado e à Câmara dos Deputados que aderem a uma agenda de compromissos voltada ao setor.
As candidaturas que participam da iniciativa assinam os compromissos estabelecidos pela organização, recebem um selo oficial e passam a integrar uma plataforma pública de consulta. A lista pode ser filtrada por cargo e estado, permitindo que eleitoras e eleitores conheçam os candidatos que aderiram à proposta.
Segundo as entidades responsáveis, a iniciativa busca fortalecer o audiovisual como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, previsibilidade e continuidade, em vez de ações pontuais de governos.
O setor movimenta cerca de R$ 27 bilhões por ano, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), além de gerar mais de 300 mil empregos diretos e indiretos e recolher aproximadamente R$ 9 bilhões anuais em tributos. Dados da consultoria internacional Olsberg/SPI citados pelas entidades apontam ainda que até 67% dos custos de uma produção audiovisual são destinados a outros segmentos da economia, movimentando áreas como turismo, transporte, tecnologia e alimentação.
Apesar da relevância econômica e cultural, o audiovisual independente enfrenta desafios relacionados à descontinuidade de políticas públicas, à insegurança regulatória e às dificuldades de acesso a financiamento.
Agenda reúne cinco eixos
As candidaturas aderem à Agenda Política Consensual do Cinema e do Audiovisual, construída a partir de demandas de profissionais, produtoras independentes, entidades representativas e trabalhadores da cultura.
Os compromissos estão divididos em cinco eixos: regulação, direitos e segurança jurídica; financiamento, desenvolvimento econômico e inovação; internacionalização e inserção global; trabalho, formação e pluralidade; e infraestrutura, difusão e memória audiovisual.
Entre as propostas estão a aprovação da regulamentação dos serviços de streaming, o descontingenciamento das receitas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a criação de regras para o uso de inteligência artificial nas indústrias criativas com proteção aos direitos autorais e à propriedade intelectual e a ratificação de acordos de coprodução internacional já assinados pelo Brasil.
A agenda também inclui a revisão de pontos da reforma tributária que geram insegurança para o setor e a criação de um regime especial de proteção social para trabalhadores da cultura.
Iniciativa é suprapartidária
Para aderir à Bancada da Pipoca, a candidatura deve realizar um cadastro utilizando os mesmos dados registrados na Justiça Eleitoral. As informações são verificadas pela equipe da iniciativa antes da liberação do selo e da inclusão do nome na plataforma.
Até 17 de agosto de 2026, 20 candidaturas de sete partidos e quatro estados haviam aderido à iniciativa. Segundo as entidades organizadoras, a participação de diferentes legendas reforça o caráter suprapartidário da agenda.
A plataforma também permite que o público consulte os candidatos participantes e gere um selo de apoio para divulgação nas redes sociais.
A Bancada da Pipoca é organizada pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA), Associação Brasileira de Cineastas (ABRACI), Associação Brasileira de Empresas Produtoras de Animação (ABRANIMA), Associação dos Produtores Independentes de Audiovisual (API), Associação Paulista de Cineastas (APACI), Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste (CONNE) e Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (SICAV).