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Cinema

Entenda quem pode vencer o Oscar 2026, com ‘O Agente Secreto’ entre os indicados

O longa concorre em quatro categorias —melhor filme, filme internacional, direção de elenco e ator, para Moura

Redação Jornal de Brasília

14/03/2026 11h15

estatueta dourada do oscar afp

Foto: AFP

ALESSANDRA MONTERASTELLI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A festa em dose dupla pode se repetir neste ano. Se na última edição do Oscar o filme “Ainda Estou Aqui” levou a primeira estatueta dourada do Brasil em pleno fervor do Carnaval, na premiação deste domingo “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura, pode triunfar em ano de Copa do Mundo. Mas a partida é dura.

O longa concorre em quatro categorias —melhor filme, filme internacional, direção de elenco e ator, para Moura. O Brasil ainda aparece na disputa pelo troféu de melhor fotografia, com Adolpho Veloso, que trabalhou no longa-metragem americano “Sonhos de Trem”.

Quando “Ainda Estou Aqui” foi coroado melhor filme internacional, o seu principal rival, o francês “Emilia Pérez”, tinha deixado o caminho livre depois de chegar à reta final da disputa enfraquecido por uma série de polêmicas. Não é o caso do adversário da vez, o norueguês “Valor Sentimental”. Matematicamente, o dramalhão europeu de Joachim Trier lidera a disputa com sete indicações, contra quatro de “O Agente Secreto”.

“Foi Apenas um Acidente”, filme francês dirigido pelo iraniano Jafar Panahi, parece ter sido escanteado no Oscar, apesar de sua temperatura. Retrato da repressão no Irã, o longa era um nome forte para ser coroado melhor filme internacional quando venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, no ano passado.

Junto de “Valor Sentimental”, “O Agente Secreto” concorre a melhor filme, principal categoria do Oscar, pela segunda vez consecutiva depois de “Ainda Estou Aqui”, marcando o momento de visibilidade que o cinema brasileiro tem conquistado no mundo. Nessa categoria, porém, filmes falados em inglês são historicamente prioridade. Os adversários do longa de Mendonça Filho são “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores”, os favoritos, além de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Valor Sentimental”, “Bugonia”, “F1 – O Filme”, “Frankenstein”, “Marty Supreme” e “Sonhos de Trem”.

Moura é o primeiro brasileiro a disputar o troféu de melhor ator —mas o páreo também é duro. Ele enfrenta Michael B. Jordan, nome mais cotado para vencer, que fez uma performance dupla em “Pecadores” ao interpretar os gêmeos Stack e Smoke. Até mês passado, o dono da estatueta parecia ser Timothée Chalamet, um dos rostos mais populares da nova geração de Hollywood, por sua performance em “Marty Supreme”, mas o ator foi preterido por Jordan no Actor Awards, prêmio do sindicato de atores que é termômetro para o Oscar.

Chalamet também protagonizou uma polêmica que causou comoção no mundo artístico. Em entrevista, disse que o balé e a ópera são artes sem prestígio hoje em dia. Estão indicados ainda Leonardo DiCaprio e Ethan Hawke.

“Pecadores”, de Ryan Coogler, é o principal concorrente do Brasil na corrida de melhor direção de elenco, prêmio inédito da cerimônia, criado para celebrar os profissionais responsáveis por escolher os atores e as atrizes de um filme.

Se “O Agente Secreto” conta com nomes como Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Tânia Maria, artesã que ganhou popularidade internacional com seus trejeitos marcantes e carisma magnético, “Pecadores” tem Jordan, Delroy Lindo, que disputa a estatueta de melhor ator coadjuvante, Hailee Steinfeld e Jack O’Connell no time.

O longa de Coogler, indicado 16 vezes, um recorde, pode se tornar o filme mais premiado da noite e quebrar a maldição do terror no Oscar, gênero historicamente preterido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Na trama, vampiros brancos tentam invadir uma casa de blues na zona rural dos Estados Unidos, nos anos 1930, aberta por Stack e Smoke para ser um lugar de entretenimento para pessoas negras da região.

Se concretizada, a celebração de “Pecadores” representará um manifesto da Academia a favor do cinema em tempos de crise em Hollywood. É que os grandes estúdios têm penado para conseguir convencer o público a frequentar as salas com seus blockbusters e seguem investindo em franquias e remakes para não arriscar verba em novas ideias ousadas. “Pecadores”, no caso, é uma história original, desenvolvida com alto orçamento —cerca de U$S 90 milhões, ou R$ 468 milhões. O filme foi um sucesso de bilheteria e arrecadou mais do que o triplo do valor gasto em sua produção.

Seu principal concorrente é “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, que briga com Ryan Coogler inclusive pelo Oscar de direção. O filme com 13 indicações é protagonizado por Leonardo DiCaprio, que vive um ex-guerrilheiro deprimido que mora com a filha adolescente. Quando ela é sequestrada por seu inimigo antigo, ele precisa restabelecer contato com integrantes do grupo revolucionário do qual fazia parte para salvar a jovem. O filme de perseguição satiriza a polarização nos Estados Unidos e a desilusão com o sonho americano.

Não por acaso, “Uma Batalha Após a Outra” é uma das produções mais politizadas desta temporada de premiações e tem vantagem sobre “Pecadores” para o prestigiado troféu de melhor filme. Sua cena inicial, por exemplo, mostra um grupo de guerrilheiros de esquerda que invade um acampamento militar para libertar imigrantes latino-americanos. A relação com o noticiário da vida real, que vem narrando prisões de imigrantes feitas pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, a mando de Donald Trump, é imediata.

Não seria estranho, aliás, se algum comentário político ou alguma piada relacionada ao governo Trump ecoasse no salão do Dolby Theatre, em Los Angeles, onde acontece a cerimônia do Oscar nesta noite. Se o evento seguir a cartilha do Globo de Ouro, porém, qualquer manifestação do tipo será sutil, ainda que Hollywood seja um antro antirrepublicano. Frente ao conservadorismo de seu país, a premiação decidiu apontar mais holofotes para produções internacionais nesta edição, com narrativas que acontecem longe dos Estados Unidos.

O movimento é também uma resposta à pressão sobre a Academia para diversificar seus votantes e laureados. Um marco desse processo foi a coroação do sul-coreano “Parasita” como melhor filme, em 2020. Além da inclusão de “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental” na corrida principal da cerimônia, na categoria de animação disputam duas produções francesas, “Arco” e “A Pequena Amélie”. Está na briga também “Guerreiras do K-Pop” que, apesar de ser produzido nos Estados Unidos, surfa no sucesso mundial do gênero musical sul-coreano. A produção pode levar também a estatueta de canção original, com “Golden”.

Na categoria de melhor atriz, a irlandesa Jessie Buckley é a favorita. Ela vive Agnes, a mulher de William Shakespeare em “Hamnet”. Ela disputa com Rose Byrne, Kate Hudson, Renate Reinsve, de “Valor Sentimental”, e Emma Stone.

Numa edição com cardápio variado, “O Agente Secreto” tem agradado ao paladar por onde passa. A campanha do filme começou bem quando Kleber Mendonça Filho foi eleito melhor diretor e Wagner Moura, o melhor ator, no Festival de Cannes, no ano passado. Na ocasião, os direitos de distribuição do filme nos Estados Unidos foram comprados pela Neon, famosa por farejar produções com grande potencial para o Oscar. Acumulando triunfos de lá para cá, do Critics Choice Awards ao Globo de Ouro, o filme já chega à batalha final em festa.

98º OSCAR

  • Quando Dom. (15), a partir das 20h
  • Onde Nos canais da TV Globo e TNT e nas plataformas de streaming HBO Max e Globoplay

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