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Cinema

Documentário resgata tragédia de família atingida pelo césio-137

Curta exibido no Bonito CineSur revisita o sofrimento de Lourdes e Leide após o acidente radiológico de Goiânia e a morte recente de outro filho da família.

Redação Jornal de Brasília

28/07/2026 14h35

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Foto: Governo de Goiás/ Divulgação

O curta-metragem “Lourdes e Leide” revisita a história de uma família atingida pelo acidente radiológico com césio-137 em Goiânia e foi exibido no Bonito CineSur, em Bonito (MS). Dirigido por Angelo Lima e filmado no ano passado, o documentário acompanha o cotidiano de dona Lourdes e as lembranças da filha Leide das Neves, morta aos 6 anos após a exposição ao material radioativo.

A tragédia começou em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de lixo entraram no prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia, no centro de Goiânia, e encontraram um equipamento de radioterapia. O material foi levado para casa, removido da cápsula e identificado como césio-137, substância que emitiu brilho azul no escuro e acabou se espalhando entre familiares e conhecidos.

Segundo o relato apresentado no filme e na reportagem, o material chegou à casa de Lourdes e Leide depois de ter sido vendido a um ferro-velho. Lá, foi manuseado por pessoas que não conheciam o risco, o que provocou sintomas como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia. O irmão de Devair Alves Ferreira levou parte da substância para a filha, Leide das Neves, que ingeriu as partículas e morreu poucos dias depois, em 23 de setembro. Ela foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação ainda emitida pelo corpo.

Além de Leide, outras três pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição. O documentário também destaca que, nesta última semana, dona Lourdes perdeu mais um filho, Lucimar das Neves Ferreira, que tinha 14 anos na época do acidente. O diretor afirmou que a família já havia sido profundamente abalada pelo episódio e que a nova perda reavivou a dor provocada pela tragédia.

Durante a exibição, Angelo Lima classificou o caso como uma “tragédia silenciosa” e defendeu reparação aos danos causados. O festival também promove uma pequena exposição de fotos sobre o acidente, incluindo imagens de Leide e do seu enterro, em uma tentativa de preservar a memória de um dos maiores incidentes radiológicos da história do Brasil.

Com ifnormações da Agência Brasil

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