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Cinema

Curta de estudantes da UnB disputa prêmio internacional

Projeto Ainda é Tempo concorre a um financiamento que pode garantir os recursos necessários para iniciar as gravações do filme

Larissa Barros

20/07/2026 5h00

Atualizada 19/07/2026 20h11

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Equipe de produção do curta “Ainda é Tempo “. – Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

Um filme que ainda nem foi gravado já ultrapassou as fronteiras de Brasília. Produzido por estudantes da Universidade de Brasília (UnB), o curta-metragem Ainda é Tempo disputa um prêmio internacional que pode garantir US$20 mil, cerca de R$100 mil, para transformar uma ideia em realidade.

Diferente do que muitos imaginam, a equipe ainda não gravou o filme completo. Para participar da competição, foi necessário produzir apenas uma demo, uma versão reduzida capaz de apresentar a proposta artística e convencer os avaliadores do potencial da obra.

A diretora e roteirista Mafe Mendes conta que o projeto nasceu de um questionamento sobre a invisibilidade das pessoas idosas dentro da comunidade LGBTQIAPN+. “Eu questionava muito por que essas pessoas estavam sendo invisibilizadas, sendo que elas são tão importantes para a história e para tudo que a comunidade conquistou”.

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Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

Foi dessa inquietação que surgiu Aura, protagonista do curta. Aos 68 anos, viúva e vivendo uma rotina marcada pela solidão, ela reencontra um antigo amor em uma balada LGBTQIAPN+. O reencontro faz com que a personagem volte a enxergar possibilidades de viver sentimentos que pareciam esquecidos.

Ao reunir uma personagem idosa em um ambiente frequentemente associado apenas aos jovens, Mafe busca provocar novas reflexões sobre afeto, envelhecimento e pertencimento. Mas transformar essa história em filme exige recursos financeiros. Foi por isso que a equipe decidiu participar da competição organizada pela Decentralized Pictures. Hoje, o projeto concorre com mais de dois mil filmes de diferentes países em busca do financiamento que pode viabilizar toda a produção.

“Além do dinheiro, existe a oportunidade de sermos conhecidos internacionalmente. Também existe a possibilidade de ter o projeto escolhido pela própria Sofia Coppola, o que seria muito importante para nós”.

Enquanto o longa ainda depende desse incentivo, a equipe precisou mostrar todo o potencial do projeto em poucos minutos de gravação. Na direção de arte, o desafio foi criar um universo visual completo praticamente sem orçamento. Ana Andrade, diretora de arte do projeto, conta que a solução foi recorrer à criatividade. Figurinos vieram de brechós, objetos foram emprestados por amigos e conhecidos e cada detalhe precisou ser pensado para transmitir a essência da história. “A gente fez toda a curadoria de objetos, figurinos e maquiagem para já dar uma noção do universo do filme, mesmo sendo apenas uma demo”.

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Foto: Larissa Barros/Jornal de Brasília

A transformação visual da protagonista também foi uma das apostas da equipe. Ao longo da narrativa, Aura deixa para trás roupas discretas e surge caracterizada como drag queen, em uma mudança que simboliza o reencontro consigo mesma. Segundo Ana, caso o financiamento seja conquistado, a direção de arte será uma das áreas mais beneficiadas. “A arte costuma ser o departamento que mais gasta dinheiro porque é ela que cria todo o universo do filme. Com esse recurso, conseguiríamos construir melhor os cenários, os figurinos e caracterizar todos os personagens”.

Agora, a equipe aguarda o resultado da premiação enquanto continua planejando os próximos passos da produção. Se o projeto for contemplado, o grupo pretende ampliar a equipe, iniciar a pré-produção, definir elenco e locações e, finalmente, gravar Ainda é Tempo.

Mais do que conquistar um prêmio internacional, os estudantes esperam dar vida a uma história que fala sobre amor, memória e a importância de mostrar, nas telas, personagens que ainda ocupam pouco espaço no cinema.

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