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Cinema quebra a última fronteira da sétima arte: o sexo

Arquivo Geral

10/06/2014 9h00

Filmes exibidos recentemente no circuito comercial como Azul é a Cor Mais Quente, Um Estranho no Lago, Ninfomaníaca, Tatuagem e Praia do Futuro, que segue me cartaz, deixam de lado o clichê hollywoodiano dos romances água com açúcar para apimentar suas histórias com cenas de sexo. Coincidentemente, a maioria desses filmes “mais ousados” estiveram em cartaz em épocas muito próximas, mostrando uma tendência que se reforça, mas que tem causado polêmica.

Em Praia do Futuro, dirigido por Karim Aïnouz, por exemplo, a cena de sexo entre o ator Wagner Moura e o alemão Clemens Schick gerou debates acalorados nas mídias sociais. Houve até quem deixasse a sala de cinema por considerar o filme “pornográfico”, além de postagens com fotos de ingressos com o carimbo “Avisado” no Facebook; e a reação da própria produção do filme – que publicou em sua página oficial a campanha #HomofobiaNãoÉANossaPraia, como forma de protesto.

O diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor) vê com naturalidade o crescimento do número de filmes que exibem o “erótico” no cinema. Conterrâneo de Hilton Lacerda, diretor do polêmico Tatuagem, ele faz parte de uma geração de cineastas que revela uma sociedade brasileira tal como ela é, com sexo e violência.

Linha tênue

Segundo ele, produções como Praia do Futuro e Tatuagem são fundamentais para abrir o olhar do espectador. “Há uma linha tênue entre o erótico e o pornô, que é o sexo em si, mecânico. O erótico é um envolvimento da trama, que pode ter cenas de nudez e sexo, ou não”, diferencia.

Parte dessa nova safra realista pernambucana pode ser vista na mostra Novo Cinema Pernambucano.

Outro filme que deu o que falar foi Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche. A longa cena de sexo entre as protagonistas chamou a atenção do público, e também a das empresas Sonopress e a Sony DADC, que se recusaram a prensar os discos blu-ray, alegando “não trabalhar com filmes com sexo explícito”.

Espectador adestrado

Segundo Kleber Mendonça Filho, a tendência em retratar cenas mais picantes nas telonas não vem de agora mas, sim, da década de 1970, época em que os filmes deixaram o lugar comum para exibir cenas reais, que estampavam violência e sexo.

“O sexo no cinema era tabu em 1970, mas é um absurdo que continue sendo em pleno século 21. É a última fronteira que o cinema precisa romper. Acho incrível que as pessoas ainda reajam com estranheza ao erótico”, avalia.

Para o diretor de Tatuagem, Hilton Lacerda, “a narrativa erótica é um instrumento cinematográfico. Relatá-la é uma forma de fazer uma denúncia e também de quebrar o olhar preso do espectador”.

Fundador da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, o cineasta Nelson Hoineff considera vergonhosa a polêmica gerada em torno de filmes como Praia do Futuro. Para o diretor, o Brasil é um País liberal, mas que ainda tem sua classe conservadora. “As pessoas não transam e tiram a roupa? O cinema é só um retrato da realidade. E fazer sexo é uma coisa do dia a dia”, destaca.

Serviço

Mostra Novo Cinema Pernambucano –   Até 28 de junho. No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). Ingressos a R$ 2 (meia-entrada). Para mais informações e programação completa, acesse bb.com.br/cultura. A classificação indicativa varia de acordo com o evento.

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