Enquanto produções dos quatro cantos do País ocupam o Cine Brasília (106/107 Sul) para disputar o concorrido prêmio da Mostra Competitiva da 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, uma mostra exclusiva recebe curtas e longa-metragens locais para abrir espaço para nossas criações. Há 19 anos, a Mostra Brasília valoriza e incentiva os filmes e diretores brasilienses, que provam que, aqui, a sétima arte também tem vez.
Destaque desta edição, o último cinema drive-in em funcionamento no Brasil fez com que dois cineastas quisessem contar a história do tradicional espaço, que sofreu inúmeras ameaças de demolição em decorrência da reforma do Autódromo Internacional Nelson Piquet, onde está localizado.
Felizmente, o Governo do Distrito Federal decidiu, em agosto, que a área do tradicional cinema será preservada.
Inspiração
A polêmica serviu de inspiração para duas histórias: o longa-metragem de Iberê Carvalho, O Último Cine Drive- In; e o curta Cine Drive-In – Cinema Sob o Céu, de Cláudio Moraes.
No longa de ficção O Último Cine Drive-In, o local é o cenário perfeito para retratar uma densa relação familiar. A trama conta a história do jovem Marlon Brando, que resolve voltar para Brasília quando a mãe fica muito doente.
Forçado a retornar à cidade natal, ele precisa conviver novamente com o pai, o senhor Almeida, dono do Cine Drive-In. É uma obra poética que tenta resgatar o passado, tanto do antigo cinema, quanto dessa complicada relação familiar.
“É agora o último cine drive-in no Brasil, sendo abrigo de diversas gerações de público, desde 1973. Um resgate ao passado desse cinema que frequentei na minha infância com meu pai aliado a uma história ficcional”, explica o diretor. Sobre sua participação na Mostra Brasília, Iberê Carvalho é categórico: “Estou muito orgulhoso”.
Ponto de vista
Proprietária do Cine Drive-In, Marta Fagundes tem história com o último drive-in do País desde 1975, dois anos após sua fundação. Mas foi à frente da empresa Stark’s Cinema e Lanchonete Ltda. que, em 1989, ela acabou se tornando a proprietária responsável do local. Desde então, vem enfrentando vários desafios para garantir a permanência do tradicional cinema, que há tempos sofre ameaças de demolição por estar dentro do Autódromo Internacional Nelson Piquet, uma área pública. “Estamos, desde 2013, na luta com o projeto de lei 1608, de Luzia de Paula, para fazer deste ponto turístico um patrimônio cultural material do DF”, defende Marta. Cerca de 5 mil pessoas participaram de um abaixo-assinado na internet em defesa da permanência do local.