A necessidade por melhorias no País, reivindicadas pelos brasileiros em junho do ano passado, serviu de premissa para o novo trabalho do Capital Inicial, Viva a Revolução. Em entrevista ao JBr., o vocalista Dinho Ouro Preto explica que começou a compor a música que dá nome ao EP influenciado pelos protestos da Primavera Árabe (onda revolucionária de manifestações e protestos que vêm ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África desde 2010). “O assunto estava presente em tudo”, diz.
A razão do grupo optar por um formato diferente do tradicional CD, com menos faixas, se deve ao fato de que, para o grupo, falar sobre um único assunto seria ruim. “A ideia de fazer um EP surgiu porque pensamos que colocar temas variados nas músicas poderia estragar a ideia do trabalho. Achei que ninguém ia ter saco para tudo isso”, brinca.
A abertura do EP, Melhor que Ontem, fala de esperança e otimismo em um período conturbado. A segunda canção, Tarde Demais, acompanha alguém que acompanha a cobertura dos protestos pela televisão. Passando por Não Tenho Nome e Bom Dia Mundo Cruel, chegamos a Coração Vazio, penúltima música do disco, quando o personagem criado pelo Capital decide finalmente sair às ruas, pronto para lutar por seus direitos.
O disco traz duas versões de Viva a Revolução. Uma faixa é gravada pela banda. A outra, última música do EP, une as guitarras do Capital Inicial ao som do grupo de rap Cone Crew Diretoria. “Decidimos fazer uma versão sem o Cone Crew porque eles não poderiam viajar na turnê para tocar ao vivo. Além de achar necessário ter uma versão mais rock’n’roll”, justifica o cantor.
Influência
Dinho também conta que o clima da mobilização popular o fez se sentir como se estivesse na década de 1960 – “época em que as pessoas lutavam unidas por seus direitos de serem livres, sem precisar de uma liderança, como aconteceu nos protestos”.
Dinho esteve presente na Avenida Paulista em São Paulo durante as manifestações do mês de junho do ano passado e acabou levando as filhas com ele. “Queria que elas vissem como o poder do povo pode botar os governantes contra a parede”. Já a Primavera Árabe fez Dinho se recordar de movimentos como o dos caras-pintadas, que resultou no impeachment de Collor em 1992.
Para evitar cair na mesmice, a banda – que já está na estrada há 31 anos – procurou inovar. Para isso, buscou novos parceiros, novo produtor e alterou a equipe de fotografia, entre outras mudanças. O ex-guitarrista do Charlie Brown Jr., Thiago Castanho, por exemplo, ajudou a compor Coração Vazio e Melhor que Ontem.
Com novas parcerias
O Capital Inicial e o Charlie Brown Jr. já se apresentaram juntos em diversas ocasiões. “Eu conheço a mulher e os filhos do Thiago, ele conhece os meus”. O convite também foi feito como forma de apoio a perda dos vocalistas Chorão e Champignon – mortos no ano passado. A parceria com o Cone Crew Diretoria aconteceu graças ao sobrinho de Dinho, que é produtor musical.
Produção
Liminha, produtor musical, que trabalhou com grupos como Mutantes e Paralamas do Sucesso, já havia participado do primeiro EP do Capital, Descendo o Rio Nilo, em 1984. Para Dinho, no entanto, a parceria rendeu tão pouco contato que ele considera o Viva a Revolução “nosso primeiro trabalho em conjunto”.
O dedo do produtor alterou vários detalhes do desenvolvimento do CD, como acordes e batidas. “Ele se comporta como se fosse alguém que não apenas registra as músicas, mas que participa também”, elogia. “A única coisa em que ele não mexeu foi na letra”, finaliza.
Assista ao clipe: