Raquel Martins Ribeiro
Especial para o Jornal de Brasília
Com companhias teatrais do Rio Grande Do Norte, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, a 18ª edição do Palco Giratório ocupa o Sesc de Ceilândia, da 913 Sul, de Taguatinga Norte e do Gama, de hoje a domingo.
O festival promove, por meio de espetáculos, oficinas e seminários, a troca de experiências entre artistas e plateia. Oportunidade para o brasiliense conhecer grupos e montagens que raramente desembarcariam na capital de outra maneira.
Para Rogero Torquato, diretor do Grupo de Pesquisa Cênica do Sesc-DF, o Palco Giratório é fundamental para a descentralização e democratização do teatro. “O festival possibilita que artistas circulem por todo o País, mostrando sua arte para um número muito maior de pessoas”, explica. Segundo o diretor, ganham as companhias e, muito mais, o público.
“É um intercâmbio intenso. Aprendemos e trocamos experiências uns com os outros. O público também participa dos debates e bate-papos ao fim de cada apresentação. E, com certeza, sai de lá enriquecido”, pondera o diretor.
O grupo do DF leva aos palcos a peça O Auto da Compadecida, uma remontagem do clássico de Ariano Suassuana. “É uma adaptação para o teatro de rua. Tem muita dança e muito colorido. Nós testamos e misturamos várias linguagens, como o circo, commedia dell’arte e teatro popular”, conta Rogero, que credita ao tom bem-humorado do espetáculo a identificação imediata do público.
Desmistificado
Do estado da Bahia, chega o espetáculo que promete quebrar paradigmas. Exú, A Boca do Universo, do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas – Nata, homenageia o orixá com uma montagem que mistura teatro, dança e música.
“Exú é um orixá de extrema beleza, mas toda a sua história ficou envolta num emaranhado de preconceito. Vamos tratar da vida dele de forma poética, mas sem ser panfletário. Nossa intenção é, antes de tudo, reverenciar essa cultura ancestral”, explica Fernanda Julia, diretora artística do grupo.
Exú é a terceira montagem de uma série que vai revelar para o público a face de 17 orixás das crenças afro. A última peça com essa temática, Ogum Deus e o Homem, rodou por diversas cidades do Brasil. “Se eu morrer ao final dos 17 espetáculos, estarei feliz”, avalia a diretora, que ressalta a importância do Palco Giratório na manutenção e divulgação do seu trabalho. “Nós, artistas negros, estamos fazendo a nossa parte, mas ainda são muito escassas as possibilidades de financiamento e de visibilidade”.