“No Brasil dos últimos 500 anos, Edilson esteve cortando cana-de-açúcar. Um dia, as máquinas chegaram e ele deixou o corte para se engajar em sua primeira missão espacial. Um pequeno passo para ele, um salto enorme para o Brasil”.
Com a sinopse acima, o longa Brasil S.A chega às telas do Cine Brasília no segundo dia da mostra competitiva do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que conta ainda com os curtas Crônica de uma Cidade Inventada, da brasiliense Luísa Caetano; e Sem Coração, dos pernambucanos Nara Normande e Tião. Todos representantes do gênero ficção.
Nova geração
“O longa não é bem documentá rio e ficção. O diálogo do filme se estabelece mais com as artes visuais e com um protótipo modesto de ficção científica”, tenta definir o diretor Marcelo Pedroso, que faz parte da nova geração de cineastas autorais de Pernambuco.
O jovem diretor tem no currículo os documentários Pacifíco, que participou de mais de 30 festivais no Brasil e no exterior; e KFZ-1348, co-dirigido por Gabriel Mascaro, que foi levado a 20 festivais. Marcelo explica que Brasil S/A foi surgindo como uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento socioeconômico adotado pelo Brasil. “Uma crítica a essa ideia do crescimento econômico, do desenvolvimentismo, essa noção de progresso adotada pela sociedade brasileira”, diz.
Segundo o cineasta, o filme não toma partido. “Não no que diz respeito à política partidária brasileira. Não é uma coisa a favor de tal ou tal outro projeto ou de tal ou tal outro partido. Mas acho que ele toma partido ao refletir criticamente sobre esse ideário de progresso, o desejo de crescimento como solução para os problemas sociais brasileiros, o incentivo à produção e ao consumo, o caráter muito segregador da sociedade brasileira”, opina.