Raquel Martins Ribeiro
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Se por um lado, uma parcela dos brasilienses reclamam da escassez de eventos esportivos no Estádio Nacional Mané Garrincha (Eixo Monumental), por outro, estão produtores e artistas, que não têm do que reclamar quando o assunto são os eventos culturais que tomaram conta de todos os espaços da arena em 2015. Shows como o da banda Pearl Jam, que reuniu cerca de 30 mil pessoas no mês passado, e festas como a Arte Flow, que trouxe o rapper Criolo para a capital, em setembro, movimentaram não só os fãs, como também a economia do Mané.
Segundo o subsecretário de Infraestrutura de Turismo da Secretaria Adjunta de Turismo do DF, Hernan Dutra, o remanejamento dos servidores para dentro do estádio resultou em uma economia de R$ 14,4 milhões. “Hoje o estádio não só se paga, como dá lucro”, afirma. De acordo com ele, é preciso diferenciar os custos com a construção do espaço, dos gastos com a manutenção. É exatamente no segundo quesito que os valores arrecadados com os aluguéis dos espaços entram.
“Essa economia é suficiente para a manutenção do estádio. O que sobra fica para os cofres públicos, para que o governo utilize em outras áreas prioritárias”, esclarece.
Arrecadação
Ao todo 57 espetáculos culturais, entre eles shows, festas e exposições, ocuparam os nove espaços disponíveis para eventos, como a Arena Lounge, que cediou o Churrasck’n’roll, em novembro. Tudo isso gerou uma arrecadação de cerca de R$ 1,5 milhão. “O estádio foi construído para ser uma arena multiuso. Os produtores culturais entenderam isso e têm percebido o local como um lugar privilegiado”, acredita Dutra.
Um dos destaques do ano foi o show da banda norte-americana Kiss, em abril, no estacionamento do Mané. A apresentação contou com luzes, fogos, sangue cenográfico, músicos em ‘voo’.
Repetindo a dose
Numa superprodução com 800 canhões de iluminação e 400 metros quadrados de painéis de LED, Wesley Safadão causou furor ao gravar o terceiro DVD da carreira, no estacionamento do Mané Garrincha em agosto. Graças ao sucesso da empreitada, que reuniu 45 mil pessoas, o forrozeiro cearense volta ao estádio em 30 de janeiro de 2016. Desta vez, ele sobe ao palco da Arena Lounge para lançar o trabalho gravado na capital durante a festa Garota White.
Próximos eventos e funcionalidade
Apesar de não poder adiantar os eventos que estão em fase de negociação, o secretário adjunto Jaime Recena adianta que já estão previstos 16 eventos para o ano de 2016. Entre eles, a terceira Bienal do Livro e o Baile da Favorita. “Nós nunca fomos a favor do valor gasto com a construção do estádio, mas agora nos cabe dar funcionalidade a ele e cuidar da sua gestão da melhor maneira”, diz Jaime Recena.
A localização privilegiada e a estrutura do Estádio Nacional são os principais pontos que levaram o produtor Chicco Aquino a escolher o local para as festas Arte Flow e Mistura Fina, realizadas, respectivamente, na Arena Lounge e no Salão de Vidro do Mané, onde existem painéis de Athos Bulcão.
“Cada um dos espaços atende perfeitamente festas de pequeno, médio ou grande porte. Escolhi de acordo com o público esperado”, relembra o produtor.
“A nossa experiência é muito positiva pela capacidade de moldagem de cada espaço. Conseguimos trabalhar a estética urbana muito facilmente”, completa Aquino. Para ele, a arena ficaria subutilizada se ficasse limita a eventos esportivos.