O público brasiliense, admirador e consumidor de obras de arte, já deve ter ouvido falar em Clécius Coser. Aclamado pela crítica e favorito entre ministros, senadores e pelo meio jurídico em geral, o artista gaúcho terá suas obras expostas na capital federal em uma nova galeria que está prestes a abrir as portas, no Lago Sul.
“Brasília é uma das principais cidades para o meu trabalho. As pessoas têm um alto nível cultural, são apreciadoras de arte e é onde mais requisitam minhas obras”, revela Clécius.
Desde o início da década de 1980, Coser transforma pedras de mármore em esculturas com formas sinuosas e subjetividade lírica. “Une a realidade e o abstrato” e “sabe ser monumental em uma obra de apenas 10 cm”, como ressalta em uma de suas críticas, Olney Kruse, membro da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte.
Carreira
“Eu comecei com esculturas abstratas geométricas. Na minha segunda fase artística, busquei as semi-figuras femininas. Caracterizava o abstrato com a figura da mulher”, explica o escultor.
O hobby, iniciado na infância, virou profissão. De lá para cá, Coser já expôs suas peças em galerias espalhadas por todo o País, e em lugares como Portugal, Estados Unidos, Argentina, Cuba, Itália, Uruguai e Alemanha. De muitas dessas viagens, Clécius trouxe na mala premiações importantes como a Grande Medalla Ciudad Del Havana, de Cuba e o 2º Lugar na Mostra de Arte Contemporânea Tampa, na Florida.
“Todas as exposições foram importantes para a minha carreira mas, as internacionais, me ajudaram a ficar mais reconhecido no meu próprio País”, conta o artista gaúcho.
Peças únicas e principal fonte de inspiração
Do abstracionismo característico de Clécius surge o encantamento por suas obras. Segundo o artista, é isso o que dá exclusividade a sua arte. “A escultura é o belo, a luz e a sombra. A forma abstrata em que você acaba viajando. As pessoas imaginam o que querem, a partir de cada vivência”, acredita Coser.
Cada escultura nasce de peças de mármore únicas vindas, principalmente, da Europa e de muitas horas de dedicação. “Não é algo que eu faça de um dia para o outro. Leva tempo e dá trabalho. São blocos em que, primeiramente, eu faço o desenho, para depois esculpir. Há também casos em que as peças estão irregulares, e daí saem as formas abstratas. Mas faço tudo com muita paixão”, acrescenta.
Quando sua exposição na capital federal for confirmada, os visitantes poderão conferir uma mistura de todas as inspirações do artista. “Agora, na terceira fase, eu tenho trabalhado o abstrato com formas líricas. São folhas e flores, mas sem abrir mão das formas arredondadas e também das silhuetas da mulher. A mulher é minha principal fonte de inspiração”, finaliza.