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Artista britânico surpreende a cidade com obras no CCBB e nas ruas

Arquivo Geral

23/10/2012 10h15

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

 

O corpo humano ocupa espaço. Eu ocupo espaço e você também. Escrever as duas primeiras linhas desta forma ocupou o espaço que, mais à frente, pode fazer com que o texto seja severamente editado. Teria sido desperdício? O britânico Antony Gormley  acredita que não e, com sua exposição Still Being – Corpos Presentes, à mostra no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de hoje a 6 de janeiro, busca provocar reflexão. Afinal, “ocupar espaço” poderia ser a própria definição de existência?

“Eu queria que as pessoas, ao olharem minha obra, pensassem no que significa ser humano”, diz o artista, vencedor do Prêmio Turner em 1994 e autor da famosa obra Amazon Field, criada com ajuda de moradores de Porto Velho, em Rondônia, para a convenção de meio ambiente Eco 92, realizada no Rio de Janeiro.

Foto: Ana RayssaEnquanto concedia entrevista, Antony instruía os técnicos que manobravam os bonecos de ferro fundido criados a partir do molde do corpo do artista para a obra Critical Mass II. São 60 peças com peso aproximado de 600kg, dispostas em um pavilhão construído especialmente para a exposição. Alguns corpos ficam pendurados no teto com cabos de aço, enquanto outros se agrupam no centro do local como em um “montinho”.

“A ideia é que não são pessoas, mas pedaços de metal aprisionados na forma humana”. Sem fisionomia, apenas formato, a Critical Mass II representa a existência estável e contínua, como fósseis que, mesmo após milhares de anos, conservam suas características físicas.

Intervenções
Estes “seres” deixaram o espaço do CCBB e vagaram até o centro de Brasília, formando uma obra à parte denominada Four Times (Quatro Vezes, em tradução livre). Eles ocupam a Esplanada dos Ministérios (na plataforma superior da Rodoviária, e em frente ao Palácio do Itamaraty), a Praça do Três Poderes (entre o Palácio da Justiça e o Palácio do Planalto) e o Setor de Clubes Sul (na calçada da pista do Trecho 2, acesso ao CCBB).

Os “bonecos de ferro”, em tamanho natural, instigaram a curiosidade de quem passava pelo local na tarde de ontem, principalmente na Rodoviária do Plano Piloto. Alguns pararam para tirar fotos, enquanto outros simplesmente tocaram a obra – especialmente a parte que representa o órgão sexual masculino. Um ato considerado tabu em outras situações se transformou em brincadeira com a “intervenção” de Gormley.

Antony Gormley já criou esculturas de mais de 20 metros de altura e, para a exposição no DF, todas essas obras grandiosas estarão à mostra, mas apenas em maquetes ou fotografias, dispostas nas variadas galerias do CCBB.
O curador da exposição, Marcello Dantas, é também o responsável por trazer as obras do britânico ao Brasil. “Antony é um dos grandes escultores vivos. Ele desenvolveu obras importantes no Brasil, mas nunca havia tido uma grande exposição por aqui”, explicou.

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