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Viva

Arte transforma a realidade de garotas de programa e moradoras de rua

Arquivo Geral

01/12/2014 9h00

Dar um novo sentido à vida a partir dos tambores, dos ritmos africanos, do teatro e do cinema. Há dois anos, um projeto social criado em Planaltina  procura resgatar, por meio  da arte, garotas de programa, algumas ex-moradoras de rua. 

Com o apoio  da entidade religiosa Maria Padilha, a produtora cultural e ativista Gil Padylha conseguiu reunir meninas em situação de risco e realizar  um sonho: o de formar uma banda  de mulheres  com problemas sociais delicados. 

Formada por  oito integrantes, todas percussionistas,  a banda Filhas de Padylha foi lançada neste ano em um mutirão de rua realizado em maio. A ideia deu tão certo, que as meninas fizeram um belo show na 3ª edição da Parada do Orgulho LGBT de Planaltina. Elas receberam convites para tocar em outros eventos em Brasília e até fora do País, no Peru.  Já foram requisitadas para se apresentar em um mutirão na Rodoviária do Plano Piloto até o final do ano e pretendem, ainda, passear e tocar pelas ruas com o grupo.  

“Ficamos ansiosas  e até com medo da  reação do público.  Mas as pessoas adoraram. Queremos mostrar para essas meninas que é possível passar por cima de qualquer dificuldade”, frisa a idealizadora da banda, Gil Padylha. 

Nos palcos

As oito garotas de Padylha não  saíram da prostituição, muitas por própria opção, outras por não terem escolha.  

“O projeto (Filhas de Padylha) me acolheu. Antes, eu morava nas ruas. Agora, ganhei um lar e estou adorando tocar percussão, fazer teatro. É uma forma de libertação”, destaca uma das integrantes. Como o assunto é delicado, elas preferem não se identificar pelo nome. As instrumentistas sobem ao palco mascaradas e com batom em vermelho e preto, símbolos das entidades Tranca Ruas e de Padilha. 

“A religião nos ajudou e nos ajuda. Consegui já me livrar das drogas com a banda”,  comenta uma outra integrante.

A força das batidas contra o preconceito

O som é forte, assim como as performances. Nos tambores, elas improvisam músicas afrobrasileiras e fazem um belo espetáculo cênico. A mistura de ritmos se faz nos toques do surdo, do rebolo, do repique e nas cantorias. O importante para elas é tocar e inovar. Duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos sábados, elas recebem aulas de percussão, teatro e cinema. 

“A ideia existe há dois anos, mas não tínhamos apoio. Foi preciso tirar dinheiro do bolso para comprar os instrumentos. Queremos mudar essa ideia preconceituosa sobre prostitutas. Não pretendemos estimulá-las a serem donas de casa. O negócio é fazer arte”, exclama Gil.

Voluntarismo

As aulas são  lecionadas no Centro Unificado de Apoio à Cidadania (CUC) de Planaltina, um espaço também fundado pela ativista. O projeto é totalmente gratuito e não tem fins lucrativos. 

Professor de percussão do grupo e responsável pelas aulas, o músico Negro Richard  resolveu passar para essas meninas um pouco de arte. “Venho por prazer e acho fantástico como as garotas, que antes nem sabiam tocar, hoje tiram o maior som”, elogia Richard.

Saiba mais

Em 2012, a produtora cultural Gil Padylha conheceu meninas que buscavam ajuda na  entidade religiosa Maria Padilha, num centro de candomblé da cidade de Planaltina. 

Com o convívio com essas garotas,  ela sentiu a necessidade de interferir, fazer alguma coisa para uni-las em um bem comum. O laço de amizade estava criado e a ideia também. Fazer arte.

Após anos de estudo e empenho, o grupo Filhas de Padylha foi lançado em 2014. Nesse ano ainda, as meninas pretendem ir às ruas mostrar sua percussão e garra para a população. 

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