João Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília
Quando nascemos, aprendemos aos poucos como o mundo funciona e adquirimos a noção do certo ou errado. Esse processo de amadurecimento leva tempo, mas quando se trata de Chappie, ele acontece mais rápido e pode surpreender e encantar muita gente.
O diretor Neill Blomkamp volta a unir elementos de ficção científica e questões humanas assim como fez em Distrito 9 e Elysium. Deon (Dev Patel) é um engenheiro responsável por criar andróides policiais que ajudam a autoridades a lidar com bandidos e traficantes. A empresa presidida por Michelle Bradley (Sigourney Weaver) está lucrando muito com as criações do rapaz.
História
A trama começa quando Deon salva um robô avariado e instala nele um dispositivo de AI (Inteligência Artificial) criando o primeiro ser mecânico pensante, Chappie. Sua invenção desperta o interesse dos traficantes liderados por Ninja (vivido pelo rapper Watkin Tudor Jones) e de Vincent (Hugh Jackman), rival do engenheiro e criador do projeto fracassado Alce.
Sharlto Copley dá uma voz infantil ao robô que está descobrindo o mundo de uma maneira mais rápida a de um bebê. Sua atuação transforma o protagonista em um personagem que encanta o público com sua inocência infantil, apesar da alta força e resistência.
Conhecido por interpretar mocinhos e o Wolverine dos X-Men, Jackman prova que é um bom ator e que sabe interpretar todo tipo de personagem. Seu Vicent é um homem inescrupuloso e cruel, capaz de qualquer coisa para concluir seu objetivo de retomar a outrora glória na empresa.
Pouca ação e foco no sentimental
Ao lado de Chappie, os traficantes dão um tom emotivo à trama. A rapper Yolandi Visser interpreta a mulher de Ninja. Apesar de partir dela a ideia de usar o robô para propósitos malignos, ela acaba se afeiçoando a ele como uma mãe se apega ao seu filho.
Os compositores Hans Zimmer, Steve Mazzaro e Andrew Kawczynski são responsáveis pela trilha sonora do longa-metragem, que traz elementos de rap.
Porém, nem tudo são elogios na trama. Neil não faz um boa escolha de câmeras. Principalmente, na hora de mostrar os traficantes indo para um assalto que pode livrá-los de uma encrenca ou colocá-los em uma ainda pior.
Para uma veterana em filmes de ficção científica, o papel de Sigourney Weaver (Trilogia Aliens, Avatar) como a cientista Michelle fica bem aquém da capacidade da atriz, sendo apenas uma coadjuvante na trama.
Quem espera ação no filme, irá se decepcionar. Ele foca muito no sentimental e na humanidade dos personagens, e pouco nas lutas.