Menu
Viva

Amor em películas

Arquivo Geral

21/04/2015 7h00

Não é exagero falar que suas histórias se confundem e se complementam. A relação entre Brasília e Vladimir Carvalho começou em 1969, mas só foi oficializada em 1990, com o filme Conterrâneos Velhos de Guerra, sobre a história da construção da capital. Em 2011, com o lançamento do filme Rock Brasília – Era de Ouro, declarou seu fascínio pela história musical da cidade onde escolheu morar e criar raízes.

Hoje é o dia dela, da capital de linhas exatas e curvas (sim, curvas) sinuosas. São 55 anos de vida, alegrias, tristezas e de muita resistência. Este ano é o ano dele, do cineasta de fala tranquila, que nasceu no interior da Paraíba, e que resiste à ideia de possuir um celular, com 80 anos completados no último janeiro, e que ganha uma mostra só dele este mês, no Centro Cultural Banco do Brasil. Vladimir Carvalho 8.0 entra em cartaz no próximo dia 29, um evento que pretende desbravar a história de quem respira cinema e que não cansa de promover a sétima arte.

 Em obras

O amor de Vladimir pela capital federal foi mostrada de várias maneiras em diversas obras, como em Barra 68 – Sem Perder a Ternura, de 2001, que contou o episódio da invasão da Universidade de Brasília pelo exército no ano de 1968. E está eternizada no Cinememória (W3 Sul), museu e acervo de mais de meio século de carreira, que construiu pouco a pouco, com raridades da história do cinema brasileiro entrelaçado a Brasília. O espaço reúne cartazes de filmes, livros, câmeras, jornais, revistas, fotos e máquinas, como a moviola utilizada por Glauber Rocha para editar o clássico  Terra em Transe, parte filmado aqui em Brasília.

Lançamento de livro

A 20ª edição do festival É Tudo Verdade também comemora os 80 anos de Vladimir Carvalho, com o lançamento do livro Jornal de Cinema, que reúne ensaios e artigos sobre cinema escritos pelo cineasta, que está na ativa há seis décadas. Incansável, no momento, Vladimir está concluindo as filmagens de um documentário sobre o artista plástico pernambucano Cícero Dias, morto em 2003. Em Brasília, o lançamento do Jornal de Cinema acontece amanhã, às 19h, na Livraria Cultura do Iguatemi (Lago Norte).  A edição brasiliense do É Tudo Verdade – 20º Festival Internacional de Documentários ganha às telonas da capital de 27 de maio a 1º de junho, com quatro de seus principais longas-metragens e dois retratos biográficos  dedicados a Vladimir Carvalho.  Ingressos: R$ 4.  Informações: 3108-7600.  A classificação indicativa varia de acordo com o filme.

Trabalhos históricos

Professor da UnB por 24 anos, Vladimir pesquisou, separou, catalogou e doou tudo o que conseguiu sobre a história do cinema brasileiro e de seus 23 filmes, entre eles O País de Saruê, filme de 1971, que acabou apreendido pela censura, e Rock Brasília – A Era de Ouro, que abriu o mesmo festival, em 2011. O premiado documentário traça um retrato da cena do rock na capital brasileira na década de 1980, apresentando entrevistas com ícones da geração, como Renato Russo (Legião Urbana), Philippe Seabra (Plebe Rude) e os irmãos Flávio e Fê Lemos (Capital Inicial).

A preço popular

A mostra que homenageia o premiado documentarista, dono de kikitos, candangos, dentre vários outros prêmios, traz 16 curtas-metragens, dois médias e nove longas, assinados por Vladimir Carvalho, tendo o cineasta como tema ou na ficha técnica.  Até 11 de maio, o Cinema do CCBB, apresenta a obra do diretor, sempre de quarta a segunda-feira. Ingressos ao preço popular de R$ 4. Não recomendado para menores de 12 anos.

Além das obras cinematográficas, a mostra vai oferecer aos espectadores a chance de conferir o trabalho de Vladimir como artista gráfico, com a exposição de cartazes de alguns dos principais filmes do cineasta no hall do Cinema do CCBB. Ele assina a concepção da arte dos cartazes de O País de São Saruê (concebido em parceria com o irmão Walter Carvalho), premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Na programação da mostra, além de toda a sua filmografia, vai ser possível conferir obras de diferentes cineastas que tiveram a participação do homenageado, como o histórico Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, no qual Vladimir atuou como assistente de direção e produtor associado.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado