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Adolescentes feministas são destaque no longa Foxfire

Arquivo Geral

13/12/2014 9h00

O ano era o de 1950, mas já sinalizava para o movimento feminista que ganharia força na  América do Norte e na Europa na década de 1960. O cenário era de insatisfação das mulheres,  que se revoltavam com o mundo machista. Esse é o tema do longa  Foxfire. O drama do premiado diretor francês Laurent Cantet (Entre os Muros da Escola) mostra a inquietação de  colegiais que vivem o período das descobertas sexuais e transição para a vida adulta.

A princípio, parece ser mais uma história clássica colegial norte-americana, bem nos moldes água-com-açúcar. Mas não. A obra é ácida e fere ao relatar dramas do período da  adolescência. 

A trama foca a vida de meninas, perturbadas com o machismo dos seus “coleguinhas” e da sociedade como um todo. Cenas de um princípio abuso sexual cometido pelos homens e pelos  jovens não ficam explícitas, mas revoltam.

Na defesa

É daí que vem a inspiração para o grupo Foxfire. Indignadas com a prepotência dos  homens, elas se reúnem nessa gangue defensiva, que vale-se de tatuagens para identificação.

O que poderia soar como um grupinho de Luluzinhas, no entanto, acaba por tomar  uma proporção macabra. A diversão entre elas, de fato, é ótima,  ainda mais nessa fase de bebidas e festas. Mas, no desenrolar  da trama, a festança vai se transformando.

Juntas, as meninas podem ser mais perigosas do que parecem. Mesmo não querendo. Afinal,  ali cada uma perde a sua individualidade.Para se defenderem, a FoxFire usa de violência para acabar com os valentões. O resultado: as meninas vão tornando-se apáticas e se sucumbem, assim como a gangue. É a violência que revira às avessas.

A atriz Raven Adamson dá vida a Leg, a chefe da Foxfire. Uma menina triste, mas ao mesmo  tempo forte que conta com uma carga emocional pesada por ter perdido a mãe e não ser  aceita pelo pai.

De fato é uma obra que vale a pena assistir não apenas por mostrar os dramas do feminismo,  mas também por retratar o período da adolescência e os caminhos errantes que os jovens podem seguir.

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