
O ano era o de 1950, mas já sinalizava para o movimento feminista que ganharia força na América do Norte e na Europa na década de 1960. O cenário era de insatisfação das mulheres, que se revoltavam com o mundo machista. Esse é o tema do longa Foxfire. O drama do premiado diretor francês Laurent Cantet (Entre os Muros da Escola) mostra a inquietação de colegiais que vivem o período das descobertas sexuais e transição para a vida adulta.
A princípio, parece ser mais uma história clássica colegial norte-americana, bem nos moldes água-com-açúcar. Mas não. A obra é ácida e fere ao relatar dramas do período da adolescência.
A trama foca a vida de meninas, perturbadas com o machismo dos seus “coleguinhas” e da sociedade como um todo. Cenas de um princípio abuso sexual cometido pelos homens e pelos jovens não ficam explícitas, mas revoltam.
Na defesa
É daí que vem a inspiração para o grupo Foxfire. Indignadas com a prepotência dos homens, elas se reúnem nessa gangue defensiva, que vale-se de tatuagens para identificação.
O que poderia soar como um grupinho de Luluzinhas, no entanto, acaba por tomar uma proporção macabra. A diversão entre elas, de fato, é ótima, ainda mais nessa fase de bebidas e festas. Mas, no desenrolar da trama, a festança vai se transformando.
Juntas, as meninas podem ser mais perigosas do que parecem. Mesmo não querendo. Afinal, ali cada uma perde a sua individualidade.Para se defenderem, a FoxFire usa de violência para acabar com os valentões. O resultado: as meninas vão tornando-se apáticas e se sucumbem, assim como a gangue. É a violência que revira às avessas.
A atriz Raven Adamson dá vida a Leg, a chefe da Foxfire. Uma menina triste, mas ao mesmo tempo forte que conta com uma carga emocional pesada por ter perdido a mãe e não ser aceita pelo pai.
De fato é uma obra que vale a pena assistir não apenas por mostrar os dramas do feminismo, mas também por retratar o período da adolescência e os caminhos errantes que os jovens podem seguir.