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Pelé e Maradona trocaram rivalidade por elogios antes de argentino morrer

Pelé escreveu em suas redes sociais que sempre aplaudiria e torceria pelo argentino

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em

Foto: Reuters
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Gabriel Carneiro
São Paulo, SP

Pelé e Maradona nutriram uma das mais notáveis rivalidades da história do futebol. Ao longo dos anos foram inúmeras trocas de críticas pesadas, declarações atravessadas e comparações. O alento é que perto do fim da vida do argentino, que morreu nesta quarta (25) após uma parada cardiorrespiratória, a relação pendeu mais para o amor do que para o ódio e foi inundada por reverências e cortesias entre as lendas.

A última interação entre os dois ex-jogadores foi pela internet, no dia 30 de outubro, quando Maradona completou 60 anos. Pelé escreveu em suas redes sociais que sempre aplaudiria e torceria pelo argentino: “Que a sua jornada seja longa e que você continue sempre sorrindo e me fazendo sorrir também”, disse o brasileiro.

Maradona respondeu meio que profético -ele estava em recuperação de uma cirurgia para drenar um coágulo no cérebro na ocasião: “Minha equipe está a ponto de sair do campo de jogo, mas não quero adiar meus agradecimentos por suas palavras e bons desejos.”

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Pelé tinha feito aniversário de 80 anos uma semana antes e também recebeu cumprimentos de Maradona nas redes sociais.

O PRIMEIRO ENCONTRO

Pelé já era Pelé quando conheceu Maradona, em 1979. Tinha se aposentado após passagem pelo Cosmos, dos Estados Unidos, e atendeu a um pedido do jornal uruguaio El Grafico para encontrar-se com a promessa que se destacava na Argentina. É deste encontro que provêm as icônicas imagens em que Maradona olha admirado para o brasileiro tocando violão.

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O próprio argentino havia revelado ao jornalista responsável pela reportagem seu sonho de conhecer Pelé e o encontro aconteceu no Rio de Janeiro.

DE HERDEIRO RIVAL

Maradona teve trajetória fulminante no futebol a partir do fim dos anos 70. Atuou na Copa do Mundo de 1982 com 22 anos, logo depois trocou o Boca Juniors pelo Barcelona e começou a ser apontado como possível sucessor de Pelé, que estava aposentado. O argentino rejeitava as comparações: “Cada um tem o seu jeito, sua individualidade. O Pelé foi o maior jogador que já vi atuar. É insuperável.”

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Porém, a relação começou a esfriar por críticas de Pelé ao desempenho de Maradona na Copa do Mundo de 1982, quando ele foi expulso contra o Brasil. Em 1986, quando venceu o Mundial pela seleção argentina, Maradona passou a se sentir mais confortável com o status. Daí, Pelé pesou nas críticas ao dizer que as comparações não faziam sentido porque o argentino só fazia gol de esquerda, não de direita ou de cabeça, e que o gol mais importante da carreira do rival foi com a mão, nas quartas de final da Copa de 86.

A proximidade de Pelé com João Havelange e os bastidores da Fifa e também seu trabalho como ministro dos Esportes do Brasil entre 1995 e 1998 foram pratos cheios para manifestações duras de Maradona. O argentino disse que o brasileiro gostava “mais de dinheiro do que de dormir” e que “vendeu o coração à Fifa e à cartolagem”. Pelé reagia com críticas ao “mau exemplo” de Maradona pela dependência química. E assim foi durante anos, enquanto torcedores e mídia tentavam medir quem foi melhor em campo.

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Em 2000, a Fifa promoveu um evento para escolher o melhor jogador do mundo no século 20. Pelé venceu no voto dos especialistas e Maradona no voto popular. O brasileiro queria subir ao palco junto com o argentino, que se retirou da premiação para não cruzar com ele. No fim, Pelé ganhou o “prêmio da família” e Maradona o “prêmio da juventude”, uma forma de manter a ambos no mesmo patamar, mas o argentino disse que não dividiria um prêmio com Pelé: “As pessoas votaram em mim”, revoltou-se.

Apenas cinco anos depois, Maradona ganhou um programa na TV argentina e convidou justamente Pelé para a estreia. O público esperava uma lavagem de roupa suja no ar no Canal 13, mas o que aconteceu foi uma troca de 27 passes de cabeça sem deixar a bola cair diante de uma plateia de pé e fervorosa e um papo leve em que o argentino chamou o brasileiro de “Rei” em diversas ocasiões.

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“O Rei na noite de Deus” foi o modo como a entrevista foi anunciada. Pelé chamou Maradona de “vencedor” por causa da luta contra as drogas e respondeu de coração aberto a uma pergunta sobre seu filho, Edinho, também dependente químico. Ambos combinaram de levantar essa bandeira no futuro e ainda falaram sobre perigos da fama, política do futebol e um plano nunca realizado de Pelé de ter Maradona no Santos.

Anos depois, a relação que parecia ótima sofreu novos abalos. Pelé disse que Neymar era melhor que Messi e Maradona se ofendeu, dizendo que o brasileiro havia tomado a pílula errada e devia ser desconsiderado. O argentino também disse que na verdade o melhor da história era Di Stéfano, não algum deles, e provocou mais uma vez ao afirmar num evento que custava 300 euros que o preço só era esse porque Pelé cobrava 200 em seus e, assim, tinha que ser sempre o segundo.

Pelé respondeu: “O Maradona me ama”. Também disse que os argentinos tinham que decidir primeiro se Maradona ou Messi era melhor para depois comparar com ele. O argentino deu o troco, dizendo que Pelé tinha que ser visitado no museu.

RECONCILIAÇÃO

Foi há quatro anos que ambos selaram definitivamente a paz e não protagonizaram mais momentos de embate -no máximo brincadeiras provocativas. Na França, em um evento de patrocinadores, eles deram as mãos e disseram “chega de brigas”. Nesse dia, Maradona ajudou Pelé a andar em outra fotografia que se tornou icônica.

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Em 2017, num evento da Fifa, Pelé posou ao lado de autoridades sentado em uma cadeira de rodas. Maradona baixou para beijar sua cabeça. Foi a imagem de reconciliação ideal para uma relação cercada de polêmicas e, acima de tudo, história.

Nesta quarta, Pelé disse que “perdeu um grande amigo”: “Um dia vamos bater uma bola juntos lá no céu.”

As informações são da Folhapress




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