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Paraolimpíadas em Paris: paratleta recordista de Ceilândia cria vaquinha para comprar cadeira de corrida

A jornada de Ricardo no paratletismo iniciou logo após mudar-se de sua cidade natal, Santa Rita de Cássia, na Bahia, para Brasília

Redação Jornal de Brasília

17/01/2024 14h55

Foto: Agência Brasil

O paratleta Ricardo Serpa, morador de Ceilândia há uma década, tornou-se uma inspiração no cenário paralímpico brasileiro. Atualmente, ele é o primeiro no ranking nacional e o segundo na América Latina na classe T34, formada por paratletas de corrida em cadeira de rodas diagnosticados com paralisia integral dos membros inferiores.

Serpa é o dono dos melhores resultados nacionais nas corridas de 100, 200, 400, 800 e 1.500 metros rasos. Além disso, coleciona conquistas em torneios regionais, nacionais e internacionais.

Sua jornada é marcada por desafios desde o início da vida. Nono filho de doze e de família humilde, aos nove meses de idade Ricardo teve uma febre profunda, que ocasionou uma convulsão, causando paralisia cerebral na parte inferior do corpo.

A jornada de Ricardo no paratletismo iniciou logo após mudar-se de sua cidade natal, Santa Rita de Cássia, na Bahia, para Brasília. Seu treinamento começou em uma pista de brita no Centro de Ensino Médio da Ceilândia. Com o tempo, conheceu o técnico Nildomar Valadares, que o convidou para treinar no Centro Olímpico Parque da Vaquejada.

Hoje, ele carrega consigo um desafio especial que mudará sua vida: a compra de uma cadeira de corrida feita de carbono, necessária para que ele participe das competições oficiais até junho de 2024, que classificarão os convocados para as Paralimpíadas em Paris.

Com eventos em diversas cidades, como Goiânia, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, cada competição será uma oportunidade para garantir sua vaga na competição, que ocorrerá entre os dias 28 de agosto e 8 de setembro.

Cadeira emprestada

Para competir, Ricardo utiliza a cadeira de corrida de um colega, o paratleta Antônio Oliveira, de uma classe diferente da sua (T54). O processo envolve a retirada da cadeira um dia antes de viajar e a devolução imediata após seu retorno, para garantir que ambos os atletas possam treinar.

Entretanto, ele enfrenta limitações em competições onde Antônio participa ou quando são colocados na mesma bateria. Nessas situações, ele não compete e ainda arca com multas por se inscrever e não participar.

A atual cadeira do atleta é de alumínio, significativamente mais pesada do que a sonhada cadeira de carbono, que possui rodas corta-vento. A velocidade, adaptabilidade e manuseio são fatores que diferenciam as duas, impactando diretamente seu desempenho.

“Com a cadeira de alumínio não consigo ultrapassar 26 quilômetros por hora. Quando corro na de carbono, eu chego aos 31 com facilidade”, expõe ele.

A Bolsa Atleta recebida por Ricardo é de R$ 925 mensais, mas há quatro meses o dinheiro está retido devido a um bloqueio em suas contas por falha gerencial do banco. O caso tramita na justiça. Mesmo quando recebia o dinheiro, Ricardo enfrentava dificuldades para cobrir despesas adicionais, incluindo a manutenção da cadeira de alumínio.

Vaquinha solidária

Sua busca por uma cadeira de carbono é a busca por realizar um sonho paralímpico e representar o Brasil nos maiores palcos. Diante dos desafios financeiros, ele iniciou uma vaquinha online para angariar fundos e tornar seu sonho uma realidade. Contribua para a vaquinha e apoie o sonho de Ricardo em alcançar novas conquistas. O equipamento de carbono custa em média R$ 32 mil.

“Mesmo com os desafios da vida, acredito que Deus me deu um dom especial para superar obstáculos. Conto com a ajuda de todos que se sensibilizaram com minha história para contribuírem como puderem e me permitirem representar o Brasil e o DF em Paris”, disse o atleta.

Apoie o sonho de Ricardo Serpa: https://www.vakinha.com.br/4383889

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