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Museu Pelé tem boom de visitações em primeiro mês após morte do Rei

Em janeiro, 11.349 pessoas passaram pelo local. O número é o segundo maior desde o mês de inauguração do espaço, em junho de 2014

FolhaPress

12/02/2023 12h17

Foto: Divulgação

KLAUS RICHMOND
SANTOS, SP

O museu que leva o nome de Pelé em Santos, no litoral paulista, vive um boom de visitações desde a morte do craque, no último dia 29 de dezembro.

Em janeiro, 11.349 pessoas passaram pelo local. O número é o segundo maior desde o mês de inauguração do espaço, em junho de 2014, com 23.960 pessoas.

“Só no dia 30 de dezembro tivemos mais de 6.000 presentes, o dobro da média mensal de 2022, que é de 3.663, e o maior número já registrado em um só dia. Estamos com um movimento novo que nunca tivemos anteriormente”, disse Selley Storino, secretária de empreendedorismo, economia criativa e turismo de Santos.

“Há muitas pessoas da própria cidade que nunca haviam visitado o local. Chegamos a abrir já com fila formada do lado fora para entrar, isso não acontecia”, acrescentou.

No último ano, o Museu Pelé recebeu 29.308 pessoas, 7.708 delas em janeiro. Exceção feita a 2021, por causa da pandemia da Covid-19, o mês é sempre o mais movimentado, impulsionado pelo intenso volume de turistas em todo o litoral e pela abertura da temporada de cruzeiros. Mesmo assim, jamais havia sido ultrapassada a casa dos 10 mil.

A melhor temporada foi a inaugural, em 2014, quando 56.890 pessoas passaram pelo local. Desde então, houve queda. Mais visitantes estiveram em atrações como o Aquário Municipal, o Museu do Café, o Orquidário Municipal, o Bonde Turístico e o próprio Memorial das Conquistas, do Santos Futebol Clube.

Administrado desde maio de 2016 pela prefeitura, o museu do Rei do futebol sempre enfrentou dificuldades financeiras. Isso causou também problemas estruturais: no casarão tombado de 4.134 m², no centro histórico da cidade, eram comuns infiltrações aparentes na fachada e alagamentos.

Em 2019, o local ficou fechado pelo descolamento de reboco em paredes e devido a uma queda de parte do teto onde ficam expostas as peças. A prefeitura chegou a suspender as visitas por quatro dias por medida preventiva.

“Estou à frente do espaço há quatro anos e estamos trabalhando muito pela recuperação da infraestrutura e por um novo olhar para o museu. Houve épocas, realmente, de visitantes reclamarem de goteiras, de paredes descascadas e de baldes espalhados por conta da chuva. Suspendemos a cobrança dos ingressos muito em função disso. Agora tudo foi sanado, acrescentamos detalhes nas exposições e criamos uma sensação de aconchego”, afirmou Paulo Monteiro, diretor do museu.

Segundo ele, foi necessário ressignificar alguns espaços: um deles ficou reservado para exposições temporárias e atualmente recebe a “Galeria do Rei”, com 24 pinturas de artistas em homenagem aos 80 anos de Pelé.

Outra conta com mais de 500 imagens captadas por José Dias Herrera, primeiro a registrar a chegada do jogador ao Santos, em 1956. O fotógrafo acompanhou o craque em excursões e ao longo de toda a trajetória dele no clube.

No último ano, entre abril e julho, o espaço foi fechado para pintura geral, reformas do sistema de calhas e do telhado, revisão na parte elétrica e melhorias de iluminação e no mobiliário. Foram cerca de R$ 700 mil investidos.

“Hoje há uma constante manutenção, o museu está cuidado. Temos ainda poucos funcionários, mas procuramos qualificá-los para ajudar nas visitas”, disse Monteiro.

Para ser construído, o equipamento recebeu aproximadamente R$ 50 milhões dos governos federal, estadual e municipal e de patrocinadores angariados pela Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Ama Brasil, primeira gestora do equipamento. Nessa época, acumulou longo histórico de problemas de contas atrasadas.

Em 2017, já com a prefeitura como gestora, o museu tentou ainda parceria com a empresa argentina Museos Desportivos, reconhecida por trabalhos na área de museologia em clubes como Boca Juniors, River Plate, Benfica e Juventus.

O Santos Futebol Clube também chegou a formalizar em 2019 proposta de parceria para administrar o museu. A ideia era usar o espaço para “desintoxicar a Vila Belmiro”, remanejando quase cem funcionários que trabalham nas dependências do estádio para espaços não utilizados no museu.

“Recentemente, um terminal recebeu 18 ônibus de turistas que desceram dos navios. Quatorze deles ficaram em Santos e foram para o museu, e só quatro subiram para São Paulo. O prefeito tem se preocupado muito com o turismo”, observou a secretária Selley.

São cada vez mais frequentes os eventos próximos ao museu, localizado no Valongo. Em novembro, a prefeitura promoveu um evento voltado ao público geek, com cinco dias de duração. Semanas antes, aproveitando a Copa do Mundo, havia organizado no último andar do equipamento um campeonato de futebol de botão.

“Queremos isso, um festival funcionando no Valongo e outro no Paquetá, por exemplo. Também haverá ligação com o novo mercado municipal. As atividades culturais funcionarão como uma mola propulsora para os equipamentos e o centro histórico”, afirmou o prefeito Rogério Santos (PSDB).

A expectativa, agora, é manter o fôlego e ainda mais vivos a imagem, os recordes e os feitos de Pelé.

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