O empresário John Textor foi afastado do comando da SAF do Botafogo de Futebol e Regatas na noite de quinta-feira (23/4), em uma decisão com efeito imediato. A medida foi determinada pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas, após solicitação da Eagle Bidco, acionista majoritária da empresa que administra o futebol do clube.
Além do afastamento, o tribunal também cancelou a Assembleia Geral Extraordinária que estava prevista para segunda-feira (27). Horas antes da decisão, Textor havia se reunido com jogadores para tratar do cenário financeiro e explicar o pedido de recuperação judicial apresentado na quarta-feira (22), na Justiça do Rio de Janeiro, tentando transmitir segurança quanto ao pagamento de salários.
A crise exposta nos documentos judiciais revela um passivo superior a R$ 2,5 bilhões, incluindo cerca de R$ 400 milhões em débitos tributários. Do total, aproximadamente R$ 1,4 bilhão corresponde a obrigações vencidas ou com vencimento até o fim de 2026. A própria SAF admite dificuldades imediatas de caixa, indicando risco de não conseguir honrar a folha salarial já no mês de maio.
Os balanços recentes apontam prejuízos consecutivos: R$ 56 milhões em 2023, R$ 300 milhões em 2024 e R$ 287 milhões em 2025. Como consequência, o patrimônio líquido atingiu R$ 427,2 milhões negativos, evidenciando deterioração acelerada. Diante do quadro, o clube pediu à Justiça a suspensão de cobranças e medidas de execução, alegando risco de colapso financeiro e inviabilidade operacional caso os bloqueios patrimoniais avancem.