França e Inglaterra vão disputar neste sábado (18), em Miami, o jogo que ninguém quer jogar. Um duelo pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, no qual terão que deixar de lado a decepção pela derrota nas semifinais e a ansiedade pelas férias para se despedirem de um torneio cujo objetivo de ambos era o título.
Uma tarefa difícil para as duas comissões técnicas. Como motivar jogadores que queriam estar na final em Nova Jersey?
A Inglaterra chegou perto do objetivo. Vencia a Argentina por 1 a 0 a cinco minutos do fim, antes de Enzo Fernández e Lautaro Martínez virarem o placar e colocarem a ‘Albiceleste’ na decisão de domingo contra a Espanha.
Mais um milagre argentino e mais uma decepção para os ‘Three Lions’, que não conquistam um grande título desde a sua primeira e única Copa do Mundo, em 1966.
Em entrevista coletiva, o técnico Thomas Tuchel, que foi duramente criticado na Inglaterra por sua postura defensiva depois de construir a vantagem, resumiu o ânimo do elenco para sábado: “Nenhum desses jogadores, nenhum dos jogadores franceses, quer disputar este jogo”.
– Lidar com a frustração –
Didier Deschamps também terá que encontrar as palavras certas para motivar seus comandados.
“Não é o jogo que queríamos (…), mas existe um dever quando se veste esta camisa”, disse o treinador francês nesta sexta-feira (17), na sua coletiva de imprensa em Miami.
“Existe uma responsabilidade (…) para com os milhões de franceses que nos apoiam, que vibraram de emoção e que também viveram a decepção”, acrescentou Deschamps na véspera de sua última partida no comando dos ‘Bleus’.
A eliminação foi dura para a França, apontada pela maioria da imprensa e dos analistas como grande favorita ao título mundial.
Confiantes, os franceses chegaram à semifinal contra a Espanha após derrotarem facilmente o Marrocos nas quartas de final (2 a 0) e depois de uma campanha com várias atuações brilhantes.
A equipe também contava com um quarteto ofensivo invejável e temível, formado por Kylian Mbappé, o Bola de Ouro Ousmane Dembélé, Michael Olise e Bradley Barcola.
O resultado? Uma derrota por 2 a 0 para a seleção espanhola, que tomou a posse de bola da França.
Em Miami, diante do desafio do calor e da umidade, resta saber se os treinadores manterão os titulares ou aproveitarão a oportunidade para dar tempo de jogo aos jogadores que pouco atuaram durante o torneio.
Deschamps adiantou que fará alterações para enfrentar a Inglaterra, pois alguns de seus jogadores não estão à disposição, além de outros motivos que ele não quis revelar.
Apesar da decepção e do cansaço após cinco semanas de competição, permanece a esperança de que os jogadores queiram encerrar a participação de cabeça erguida e oferecer um bom espetáculo aos torcedores antes de um merecido descanso.
A favor desse cenário, há o fato de que ambas as equipes contam com competidores natos como Mbappé e Dembélé (campeões mundiais em 2018 e finalistas em 2022) e Harry Kane e Jude Bellingham (vitoriosos em seus clubes, apesar de não terem conquistado títulos com a seleção inglesa).
Frustrado após a derrota para a Espanha, Mbappé ainda pode conquistar a Chuteira de Ouro da Copa do Mundo, disputando o prêmio com Lionel Messi. É um consolo modesto que não apagará a amarga decepção da derrota semifinal, mas pode servir como incentivo para um artilheiro voraz como ele.
Com oito gols cada um, o astro argentino supera atualmente o francês por ter dado mais assistências, quatro contra três.
Kane e Bellingham, que somam seis gols e uma assistência cada, ainda podem conquistar o prêmio de artilheiro. Uma tarefa difícil, mas não impossível.
AFP