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Esporte não é destaque no plano de governo dos candidatos ao GDF

Matheus Garzon
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O esporte não é uma prioridade para os 10 candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) em campo nas eleições de 7 de outubro. Tanto que o assunto é praticamente ignorado por três e pouco detalhado por praticamente todos os concorrentes ao Palácio do Buriti. O Jornal de Brasília analisou o plano de governo e as propostas, disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para avaliar a importância dada por eles à prática esportiva na capital federal nos próximos quatro anos.

Renan Rosa (PCO) não mostra preocupação com esporte. Em seu plano de governo, de cinco páginas, não aparece nenhuma ação neste sentido. Questionado pela reportagem sobre o motivo pela qual o esporte foi deixado de lado em suas propostas, o candidato não soube explicar. Coube a Expedito Mendonça, assessor do partido, tentar justificar: “O esporte não será deixado de lado em uma eventual vitória. Nossa proposta é criar conselhos com a população e que ela decida aonde que os investimentos serão feitos”, explicou Mendonça.

Nessa segunda-feira (10), Renan Rosa teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF, mas entrará com recurso junto ao TSE para voltar à disputa.

Quem também faz pouco caso para o esporte em seu plano de governo é Rogério Rosso (PSD). Em terceiro lugar na corrida pelo Buriti, com 12% das intenções de votos, de acordo com pesquisa de opinião realizada pelo Datafolha na quinta-feira passada, o deputado federal cita apenas uma proposta para o desenvolvimento esportivo no DF. Assim como Renan Rosa, Rosso disse não saber o porquê de não haver mais propostas no plano de governo e listou, por meio de uma mensagem de Whatsapp, o que fará a partir de 1º de janeiro de 2019, caso seja eleito. Entre as propostas estão a “revitalização das Vilas Olímpicas e construção de novas unidades, além da construção de centros de esportes nas escolas públicas.”

Júlio Miragaya (PT) também mostrou que o esporte não é uma das suas prioridades. Ao longo de 32 páginas de propostas, o candidato citou apenas duas ações relativas ao assunto. José Ricardo Fonseca, coordenador do plano de governo do petista, admite que esse é um dos pontos que deixam a desejar na elaboração do projeto. “Estamos na formulação de 13 pontos para esporte”, comentou Fonseca.

Entre as proposições que ainda estão sendo estudadas, o coordenador destaca, sem muitos detalhes, que a ideia é atender desde as quadras de esporte espalhadas pelo DF, até uma melhor utilização dos espaços que ele chama de “grandes equipamentos”, como o Estádio Nacional Mané Garrincha. “Não temos, à princípio, restrições com Parcerias Público-Privadas (PPPs). Só não queremos que as empresas entrem sem nenhum risco e todo o ônus fique para o estado depois”, finalizou o petista.

 

Info/JBr./Baggi

Maior desafio é fazer com que o dinheiro vá para ações concretas

Um dos desafios do novo governador do Distrito Federal, mesmo que Rodrigo Rollemberg seja reeleito, será fazer com que todo o dinheiro reservado para investimento, a chamada dotação autorizada, seja revertido em ações concretas. Durante 2018, por exemplo, dos quase R$ 19 milhões reservados para o desenvolvimento do esporte, apenas R$ 5.379.447,24 foram empenhados, ou seja, tiveram um destino reservado para a finalidade.

Se o recorte for feito durante todo o governo Rollemberg, de 2015 até setembro deste ano, mais de R$ 73,5 milhões foram destinados ao investimento no esporte. Só que desse montante, nem R$ 20 milhões foram empenhados.

Questionado sobre os números, Rodrigo Rollemberg disse que essa diferença – mais de R$ 50 milhões – se deve, principalmente, a remanejamentos de orçamento e ressaltou que algumas obras que beneficiam o esporte, nem sempre estão no orçamento destinado à área fim. “O Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes), por exemplo, sai no orçamento dedicado à cultura, mas também contempla o esporte”, comentou o candidato à reeleição do GDF.

Rodrigo Rollemberg disse ainda que, se continuar governador, a tendência é evoluir ainda mais. “Vamos iniciar o governo muito melhor nas contas. Isso vai nos permitir fazer maiores investimentos. Nosso objetivo é fomentar a prática de esporte”, finalizou.

A reportagem não conseguiu falar com o candidato General Paulo Chagas, do PRP.

Falta detalhamento nas promessas
Líder na prefêrencia do eleitor com 18% de intenções de voto, de acordo com o Datafolha, Eliana Pedrosa diz que pretende não apenas reformar todos os estádios no DF, mas construir mais dois: um em Santa Maria e outro no Recanto das Emas. “Hoje existe um sentimento de que só o Plano Piloto recebe eventos. Esses outros estádios podem receber não apenas eventos esportivos, mas culturais e até religiosos”, comentou a candidata.

Ibaneis Rocha (MDB) propõe a criação de vários projetos de incentivo ao esporte, mas sem se aprofundar em nenhum deles. Entre os destaques estão o Amigos da Gente e o Campeonato de Futebol Amador Rural. “O Amigos da Gente seria feito por meio de uma parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para incentivar o futebol amador e as escolinhas. Já o campeonato rural foi um pedido dos próprios produtores ao Ibaneis”, comenta Paulo Pestana, coordenador de campanha do candidato do MDB.

Fátima Sousa (PSol) pretende analisar todos os contratos feitos pela Secretaria de Esportes na atual gestão e, principalmente, auditar a reforma do Mané Garrincha. Com relação à proposta de fazer um calendário esportivo no DF, ela diz que esse processo será feito em etapas. “É de forma ascendente. Primeiro faremos um diagnóstico nas Regiões Administrativas (RAs) sobre as carências específicas de cada um para depois criarmos uma programação unificada”, prometeu a candidata do PSol.

Já Alberto Fraga (DEM) – um dos quatro políticos que estão empatados na corrida pelo segundo turno com 10% de intenção de votos, segundo pesquisa do Datafolha – traz propostas ousadas. Entre elas é a de tornar o DF uma das cinco primeiras unidades da federação no esporte competitivo. “Se a gente fizer a base, é possível. Se tiver incentivo, dá para crescer em vários esportes”, comentou o candidato do Democratas.

Outra proposta de Alberto Fraga é destinar 1% do orçamento distrital para o esporte. Segundo o deputado federal, essa seria uma forma de garantir dinheiro aos atletas. “Às vezes não tem dinheiro nem para pagar a passagem do atleta. Essa ideia é para nós não ficarmos com o pires na mão”.

 


Saiba Mais

Estreando em eleições, o Novo é o único partido que fala abertamente em tentar reduzir a dependência do esporte com o estado. Alexandre Guerra, candidato ao governo, explica que as poucas propostas exclusivas para esporte no plano de governo se justificam pelo fato de que esta área está integrada a outras. “Consideramos que se encaixa em educação e desenvolvimento econômico”, argumentou Alexandre Guerra. “Queremos implantar o contraturno nas escolas, incentivando a prática esportiva, e colocar equipamentos como o Mané Garrincha e o Autódromo Internacional Nelson Piquet à disposição da iniciativa privada”, finalizou o candidato.

Na direção contrária, Guillen (PSTU) se diz totalmente contrário às PPPs. “O próprio estado deve fazer esse tipo de investimento. Não temos preocupação com o alto-rendimento, enxergamos o esporte como saúde e qualidade de vida”, pontuou.

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