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Capital Esportes entrevista: Larissa Paes

Larissa Paes quer se tornar a primeira atleta do país a garantir vaga para os Jogos Olímpicos de Inverno, na patinação de velocidade no gelo

Larissa Paes Larissa Paes

A atleta de Brasília, que faz parte da seleção brasileira de patinação de velocidade sobre rodas desde 2010, Larissa Paes, conversou com o colunista Leonardo Buarque, da Capital Esportes. A atleta é a primeira e única do país a competir na patinação de velocidade no gelo.

Confira a entrevista

Léo Buarque: Oi Larissa! Uma honra tê-la conosco para essa entrevista! Uma pena que não podemos fazer presencialmente ainda. Mas vamos juntos mesmo a distância mostrar um pouco do universo da patinação.

Larissa Paes: É um prazer poder contar pra vocês mais sobre essa jornada e compartilhar sobre o esporte que amo.

Léo Buarque: Sempre vejo uma equipe uniformizada treinando no Parque da Cidade, além de outros praticantes de patins sobre rodas. Você conhece ou participa do grupo?

Larissa Paes: Sim hahah eu iniciei na patinação de velocidade treinando com a Equipe Jaguar, que faz alguns treinos no Parque da Cidade. As aulas para iniciantes acontecem no Parque, é a nossa primeira casa.

Léo Buarque: Percebi em Brasília que o número de praticantes da modalidade aumentou bastante nos últimos anos. Você acha que tem algum motivo particular para esse aumento de adeptos do patins sobre rodas?

Larissa Paes: É uma atividade muito atraente pra quem gosta de passear com os amigos e família, você aproveita bastante o passeio e o patins promove muitos benefícios à saúde. A pandemia também acelerou muito a busca por patins recreativo, pois, pode ser praticado ao ar livre e a sós.

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Acredito que esse crescimento do esporte recreativo traz uma boa perspectiva para o esporte de competição também.

Léo Buarque: Você agora está na patinação de velocidade no gelo. Como foi a transição de patins sobre rodas para o gelo?

Larissa Paes: É uma transição bem difícil, eu diria que é como mudar completamente de esporte. As adaptações técnicas são muito maiores do que eu imaginava ao assistir às provas no gelo, e há muitas adaptações físicas que eu só descobri com o tempo. O próprio esporte de Long Track (pista longa) exige muito mais fisicamente do que as rodas.
Treinar em um ambiente extremamente frio e seco por horas todos os dias é um desafio. A musculatura trava, a garganta e nariz sofrem irritação, a pele resseca. Isso somado à altitude também gera desidratação, dores de cabeça, cãibras.

No início é muita coisa de uma vez só pra se adaptar, já cheguei a passar muito frio em treino por ter levado pouca roupa, mas aos poucos se aprende a lidar com essas dificuldades. Hoje já tenho uma noção muito melhor de como meu corpo responde e do que fazer pra seguir melhorando no esporte.

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Além disso tem a adaptação cultural. Eu já tinha morado fora do Brasil mas mesmo assim senti bastante. Cada país tem o seu jeitinho de ser e muitas vezes sinto falta do Brasil, da minha família principalmente que sempre esteve ao meu lado apoiando o esporte. Mas a cada dia me dedico mais, pois quero ser o melhor possível por mim e por eles.

Léo Buarque: Conte para nós sobre a corrida pela vaga olímpica, para os Jogos de Inverno. Como tem sido a preparação, os treinos diários?

Larissa Paes: Quando eu comecei no esporte, em outubro de 2018, o foco estava em aprender o básico e ir trabalhando a parte técnica. Fui melhorando e a partir da temporada passada já comecei a sentir a técnica se consolidando melhor.

Agora estamos começando a temporada olímpica de fato, com os treinos de verão. Daqui até agosto mais ou menos os treinos são voltados pra base de força e resistência, toda a parte física. Temos uma jornada de dois treinos diários, que vão desde ciclismo, musculação, corrida, escadarias, até treinos de patins como o short track (pista curta) e a patinação sobre rodas.

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Léo Buarque: Já fiquei sabendo que você tem recordes batidos! Conta pra gente sobre essas conquistas. Ter uma representante de Brasília na categoria batendo recordes, nos enche de orgulho.

Larissa Paes: Na verdade desde a primeira vez que competi, como eu era a primeira mulher do Brasil a ter algum tempo registrado, virou recorde. Eu morria de vergonha quando era anunciado recorde kkkk porque os tempos eram bem lentos. Mas reconheço que ser a primeira do meu país é uma grande conquista e batalhei muito pra seguir fazendo novos recordes.

Hoje já estou bem perto de entrar no circuito de Copas Mundiais, que é onde são conquistadas as vagas olímpicas. Um passo de cada vez vamos chegando.

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Léo Buarque: A Pandemia teve um muito negativo em diversos setores. Não podia ser diferente no Esporte. Como isso te afetou diretamente?

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Larissa Paes: O ano passado foi bastante complicado pra mim, tive que voltar para o Brasil correndo em março, e entre voos cancelados tive medo de não conseguir. Quando cheguei em casa no Brasil, minha mala tinha sido perdida com equipamentos e roupas de treino. Foi bastante estressante, tive que ir atrás de adquirir tudo novamente, mas finalmente ela foi encontrada, quase um ano depois.

Eu tinha planos de voltar Para os EUA para começar os treinamentos em junho do ano passado, mas não foi possível, esperei meses pela liberação de entrada mas não aconteceu. Então em setembro decidi junto à federação tentar vir por uma alternativa, fazendo quarentena de 15 dias no México. Foi a única saída, e assim consegui chegar aqui bem atrasada pra temporada, já em outubro.

Custou muito em termos de performance, e afetou inclusive a minha saúde, passei a temporada toda lutando contra sinusite, não foi nada fácil. Eu já estava perdendo as esperanças de conseguir melhorar meus tempos e tinha aceitado que teria que seguir em frente mesmo sem o incentivo de sentir grande evolução. Segui focada nos treinos, e no último campeonato da temporada, em março desse ano, consegui melhorar meu tempo nos 500m. Um novo recorde nacional, pelo menos.

Léo Buarque: Muitos atletas tem dificuldades de obter de patrocínio e apoio para desenvolver um trabalho em alto rendimento. Como tem sido isso pra você, no geral?

Larissa Paes: Até hoje eu nunca tive patrocínio financeiro de fato, apenas parcerias de alguns produtos e serviços. É difícil pra qualquer atleta porque treinar 6h por dia e ainda ter que trabalhar pra se sustentar no esporte desgasta muito, e no fim prejudica a performance.

Hoje eu recebo bolsa do COB, mas com a baixa do Real acaba que a bolsa mal cobre o aluguel de um quarto aqui. Minha família está tendo que assumir grande parte das despesas pra eu poder seguir em busca desse sonho.

Léo Buarque: Pra fechar, esse nosso bate papo bacana, qual o seu conselho pra quem quer começar a patinar e que caminhos seguir em Brasília?

Larissa Paes: Meu conselho é que se você gosta de patins, busque aprender a técnica pra poder praticar com segurança e quem sabe até competir né. Em Brasília o melhor clube tanto pra iniciantes como avançados é a Jaguar, com certeza.

Qualquer dúvida podem me mandar no Instagram (lari_atleta) que eu ajudo no que puder.

Brasília é minha casa, onde tudo começou. Agradeço demais o apoio que tenho recebido de cada um durante essa jornada, é algo que me motiva muito a seguir lutando. Espero poder representar nosso país e a nossa cidade cada vez melhor nas competições.






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