Por Camila Coimbra
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Aos 18 anos, Aline Furtado viu sua vida mudar após um grave acidente de carro que resultou em uma fratura na primeira vértebra lombar, o que ocasionou uma paraplegia incompleta. A atleta de 41 anos relembra que sempre foi paciente do hospital Sarah, mas foi em 2021 que sua história tomou um novo rumo. “Solicitei uma reavaliação porque queria ser corredora de rua, e foi nessa avaliação que perceberam que eu não me identificava como pessoa com deficiência física”, conta. A partir dessa constatação, Aline foi encaminhada para um processo de reabilitação por meio do esporte, mais especificamente a paracanoagem. “Esse foi um marco na minha vida, pois além de iniciar os treinos, passei por um profundo processo de auto aceitação como pessoa com deficiência”, destaca.
Determinada, a atleta decidiu que faria o possível para se classificar para as Paralimpíadas de Paris. A preparação foi intensa, com duas sessões de treinos de segunda a sexta e uma no sábado, o tempo curto mas com muita determinação Aline superou os desafios e conseguiu classificar para Paris. Junto com os treinamentos diários no Lago Paranoá sob a orientação do treinador Paulo Salomão.
“Desde o início sabíamos que corríamos contra o tempo, muito nova na modalidade e curto prazo de preparação. Além disso, conciliava a vida de atleta com a de professora e, depois, ainda comecei o curso de educação física na Estácio, uma bolsa por ser atleta paralímpica. A preparação foi dura, o cansaço por não ter o tempo necessário de descanso era extremo, mas não desisti e batalhei, junto com o treinador, até conseguir a minha classificação.”, reflete, com o orgulho de quem superou os desafios e conseguiu se classificar para Paris.
“Participar das Paralimpíadas, levando o nome da sua cidade e da sua nação, é o ápice para qualquer atleta. Foi a consolidação de todo o trabalho que fizemos”, afirma. No entanto, Aline reconhece que a falta de experiência pesou em sua última prova. “Isso me deu ainda mais garra e certeza de que, com o tempo adequado de preparação, os bons resultados virão em Los Angeles”, projeta, já mirando as próximas Paralimpíadas.
Agora, Aline se prepara para uma nova jornada. A partir de 21 de outubro, entrará em licença não remunerada da Secretaria de Educação do Distrito Federal para se dedicar integralmente ao ciclo olímpico que culminará nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028. “Saí de Paris com a certeza de que vou trabalhar duro para estar entre as três melhores do mundo”, afirma confiante. Ao mesmo tempo, continua os estudos em educação física, acreditando que esse conhecimento é fundamental para entender seu corpo como atleta e aprimorar a parceria com seu treinador. “O ciclo Los Angeles começa agora com os treinamentos, competições locais, nacionais e internacionais, participarei de todas, sendo a primeira em março de 2025, seletiva para o Mundial na Itália”, conta.
“Quero acrescentar que o esporte é para todos independente de como o seu corpo funciona, o esporte ajudou a me reconhecer enquanto pessoa com deficiência”, enfatiza a atleta.