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Renato Matsunaga

Biotic: uma semente no coração de Brasília

Renato Matsunaga
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Talvez Brasília tenha mesmo nascido para ser apenas a capital política do país, e o sonho de todos que pensam diferente seja uma utopia.

Talvez Brasília jamais consiga atingir o potencial de sua juventude, e mantenha-se sempre presa a uma realidade de cidade administrativa.

Talvez Brasilia seja uma cidade em que o empresário só consiga crescer com o apoio do governo e vice-versa e o empreendedorismo jovem seja apenas um passatempo antes da aprovação no concurso público.

É, talvez tenha muita gente que ainda pense assim, mas para a sorte de Brasília tem gente que pensa diferente. Gente que entende o quanto esse pensamento desatualizado trava o desenvolvimento da capital.

Durante uma imersão de uma semana com a equipe da Fibra, Sebrae, UnB e GDF nos Estados Unidos, uma mensagem ficou clara para mim: o Biotic é ainda uma semente, mas que já foi plantada e precisa ser muito bem cuidada para atingir seu potencial e gerar excelentes frutos para a cidade, a partir de seu lançamento oficial, no dia 2 de abril próximo.

Como em tudo que ainda não brotou para o mundo, a semente do Biotic gera dúvidas. Algumas coerentes, outras exageradas.

Por isso, talvez o maior desafio no momento seja separar as críticas produtivas e que merecem ser analisadas daquelas infundadas e que só servem para confundir a opinião pública, impedindo o crescimento de uma árvore repleta de frutos e novas sementes.

Os responsáveis pelo primeiro plantio, principalmente o GDF, a Fibra e o Sebrae, tratam essa semente com muito cuidado e foram aos Estados Unidos entender a melhor maneira de nutrí-la e impedi-la de tornar-se apenas mais um caso de semente que nunca brota do chão.

Acontece que, na cidade, nem todos estão dispostos a pagar para ver o crescimento dessa semente. Tem gente que prefere criticar o solo escolhido, a espécie deteminada (dizendo que ela é não nativa) ou que simplesmente critica no intuito de ganhar um grande sítio repleto de terra adubada e preparada pra plantar seu próprio fruto (de preferencia subsidiado pelo estado) e depois vendê-lo mais caro. Ou ainda, gente que simplesmente prefere ser contrário por resistência à mudança, falta de paciência ou até mesmo por pura ignorância.

Gente com pensamento feito o dos povos pré-nomadismo, que acreditavam que a produtividade de suas terras era infinita até sofrerem com a escassez. Gente que ainda não entendeu que o modelo de Brasília esgotou-se e passou da hora de aprendermos a plantar essa semente, que pode não ser a perfeita ou a idealizada por todos, mas que certamente tem potencial para ser um gatilho que dispare Brasília rumo aos primeiros passos de uma nova produção.

Produção que leva tempo, dedicação, paciência, muito esforço e acima de tudo, resiliência.

Resiliência para evitar que o solo seque ou falte nutrientes (e para isso, a manutenção de um plano de cidade que possa permear gerações torna-se fundamental), evitar que falte adubo para o crescimento (e nesse caso, a criação de todo um ambiente e ecossistema sério e profissional de investimento, networking, aprendizado, inovação e empreendedorismo), evitar que mudanças de estações prejudiquem os planos (e nesse caso, as eleições podem ser um inverno tenebroso), não desanimar-se com as primeiras colheitas (e principalmente com as críticas que surgirão, pois o mais importante será a avaliação para correção de rumos) e fazer da primeira muda (que precisa ser tratada com excelência para se tornar a melhor possível) um vetor para a criação de um verdadeiro parque.

Nos Estados Unidos, foi possível visitar verdadeiros ecossistemas digitais gerando os melhores frutos de nossa geração e que mesmo assim, continuam em busca do aperfeiçoamento e melhoria das técnicas de produção.

Certamente, as lições lá aprendidas podem servir de modelo e aprendizado para darmos início à nossa agricultura de subsistência com muita qualidade. Para isso, a efetivação de alguns dos acordos de cooperação desenhados com os americanos seria altamente benéfica para o Parque Digital Brasiliense.

O futuro das startups e o lançamento de um plataforma econômica para Brasilia agora depende de uma decisão muito importante: seguiremos como nômades prestes a esgotar nossos recursos ou nos uniremos para que essa semente plantada com o Biotic possa ser o passo inicial para uma nova Brasília?

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