Seria complicado entender por que Zeca Pagodinho gravaria um CD acústico, já que seus sambas são todos originalmente desplugados. A proposta da MTV, portanto, em produzir o show do sambista de Xerém nesse formato foi unir orquestra sinfônica ao partido-alto.
O resultado do Acústico MTV é uma festa, segundo Pagodinho. “É bom esse negócio da orquestra. Mas falei que não podia tirar a batucada. A batucada rolou e a gente fez uma festa”, relata o músico ganhador do Prêmio Tim de música brasileira em julho, no qual foi agraciado com os troféus de melhor cantor e disco de samba (Deixa a Vida me Levar).
“Boa noite. Tô tão calmo que tô nervoso”, saúda Zeca na abertura do DVD. Logo depois, solta a voz com o pot-pourri de duas das primeiras canções consagradas, de volta à década de 80: Quando eu Contar e Brincadeira Tem Hora. Em seguida tudo vira festa, como num pagode de mesa sofisticado – Zeca apresenta as novas músicas O Penetra, Pago Pra Ver, Comunidade Carente e Lá Vai a Marola e depois convida a Velha Guarda da Portela para o clímax da grande roda de samba com Vai Vadiar e Coração em Desalinho.
A nova receita de samba de Zeca, vem acompanhada por um time de fantásticos do samba/chorinho, a começar por Rildo Hora, na produção, arranjos e gaita. Nas novas Vacilão e Jura, apresenta mais que nunca a versatilidade do chorão Henrique Cazes e do filho de Monarco da Velha Guarda, Mauro Diniz. Perto do encerramento, nada mais justo do que um momento saudosista, com Samba Pras Moças (Incandeia) e Verdade (Descobri que te amo demais). Do início ao fim, Pagodinho reafirma que sempre foi possível fazer o bom samba. Basta ouvir e deixar rolar.