O violonista e cantador baiano Xangai passa por Brasília com repertório renovado. Hoje, no Feitiço Mineiro, o músico apresenta os novos aboios (melodias de vaquejada) e cantigas do seu mais recente CD, Brasilidade. No show, em voz e violão, o músico não deixará de lembrar os antigos sucessos que ganharam fama na sua voz: Matança (Augusto Jatobá), Canção Primeira (Geraldo Vandré) Pequenina (Renato Teixeira) e Meninos (Juraíldes da Cruz).
Paralelo ao movimento da Tropicália, que ganhou força nos anos 70 com os baianos Gil, Caetano, Gal, Bethânia e Tom Zé, a Bahia dava luz a uma outra safra de artistas, mais ligados ao regionalismo e auto-intitulados cantadores. Foi então que nascia o som sertanejo e “maldito” de Xangai – que com o conterrâneo Elomar e os parceiros Vital Farias e Geraldo Azevedo criava o projeto Cantoria, seu trabalho mais famoso.
Diferente dos manifestos contra a ditadura militar empregados pelo Tropicalismo à época, a turma da Cantoria entova seus versos de protestos pela música regional, com direito a viola e até ritmos de toada. No fogo cruzado do militarismo, Xangai foi o primeiro dos baianos sertanejos a se manifestar com seu álbum Acontecivento (1975).