A companhia teatral brasiliense G7 (O Grupo dos 7) arrancou risadas e aplausos da platéia que estava no Teatro Municipal, na capital paulista, na última terça-feira. Após apresentar uma versão criativa do espetáculo Otelo Para Todos os Brasileiros, o G7 foi aplaudido de pé e venceu a segunda edição do projeto Criação Teatral Volkswagen. O grupo volta para Brasília com um cartão de visitas e R$ 50 mil para montar uma peça teatral em 2005.
Dos 488 grupos inscritos nesta edição do projeto, apenas três participaram da final. O G7 competiu com a Cia Teatral Terraço, de Campinas, e com o Teatro Íntimo – Núcleo de Experimentos, de Porto Alegre. Os três tinham mesmo texto e cenário. Podiam ousar na criatividade, figurino e linguagem. O texto foi uma adaptação de 15 minutos do clássico O Novo Otelo, de Joaquim Manuel de Macedo, feita pelo curador do projeto, Antônio Abujamra.
Diferente do teatro clássico do grupo campineiro e do cômico-avacalhado do grupo gaúcho, os brasilienses Frederico Braga, Felipe Gracindo, Rodolfo Cordón e Benetti Mendes optaram por um figurino simples – os quatro estavam com calças e blusas pretas e pintaram o cabelo de loiro – e inovaram na interpretação ao usarem placas colocadas no peito com o nome dos personagens, que eram trocados durante a apresentação. “Vimos que todos faziam bem qualquer personagem, ai surgiu a idéia de trocar”, explica Benetti. Os quatro interpretaram os personagens, de uma maneira criativa e engraçada, e foram os únicos a serem aplaudidos ainda em cena pelo público. “Teatro se faz no palco. Não é preciso ser acadêmico para ser competente. A nossa dificuldade é estar na mídia. Esperamos que esse prêmio abra portas em Brasília para o nosso trabalho”, salienta Felipe.
Uma das grandes realizações do grupo foi se apresentar no Teatro Municipal. “Acho que o sonho de todo ator é se apresentar aqui. Não tem explicação”, emociona-se Rodolfo. As dificuldades encontradas em Brasília foram deixadas de lado ao subir no palco do Municipal. “É uma emoção enorme. Ainda mais ser aplaudido de pé. Um momento que nunca vamos esquecer e que marcou nossa carreira e nossas vidas”, diz Benetti.
Além do prêmio de melhor grupo, o integrante Felipe Gracindo levou o prêmio de melhor ator. A vencedora da categoria melhor atriz foi Marina Elias, da Cia Teatral Terraço.
A Criação Teatral é uma iniciativa da Volkswagen para democratizar a cultura e reconhecer o talento de jovens grupos de teatro de todo o País. “Teríamos mais retorno se investíssemos os R$ 50 mil num espetáculo com atores famosos. Mas o nosso objetivo é o desenvolvimento de novos talentos”, diz Júnia Nogueira de Sá, da Volkswagen.
Esta foi a segunda edição do projeto. Com curadoria de Antônio Abujamra e coordenação artística de José Renato, foi feita uma seleção entre os 488 inscritos, 18 grupos foram pré-selecionados, que fizeram a montagem da peça e apresentaram aos jurados, até chegarem aos três finalistas. “É uma injustiça. Temos muitos atores novos bons espalhados pelo Brasil. Foi difícil selecionar”, diz o curador. “Eles puderam descobrir diferentes linguagem cênicas para um mesmo trabalho, isso foi fantástico”, avalia José Renato.
Na cidade natal, eles receberam oficinas com alguns dos melhores profissionais da área teatral. Depois, participaram de 14 oficinas, com conteúdos e técnicas fundamentais para a formação de bons atores. “Essa oportunidade de troca com pessoas experientes é o mais importante para eles. Poder conhecer um pouco da história do teatro”, afirma Abujamra.
O G7 está mais confiante e decidido a fazer teatro. Apesar de não terem formação acadêmica em artes cênicas, eles desenvolvem um trabalho divertido e inovador. “Agora o G7 está recarregado e muito disposto. Estamos mais decididos ainda que queremos viver do teatro”, conclui o ator Frederico.