Cientistas americanos restauraram a visão de uma mulher usando células do olho retiradas de um feto abortado. Mas, ao mesmo tempo em que comemoram os resultados, os pesquisadores da Universidade de Louisville temem que críticos os acusem de promover o aborto.
Nos Estados Unidos, não existe uma legislação clara para assegurar que mulheres não engravidem e abortem para usar o feto no tratamento de uma outra pessoa. As informações sobre o experimento foram publicadas na revista New Scientist.
A visão de Elisabeth Bryant foi restaurada com o transplante de células da retina retiradas do olho do feto abortado. Mas, como a equipe de pesquisadores temia, as transformações não tiveram um efeito de curto prazo.
Antes da operação em seu olho esquerdo, Elisabeth Bryant, que tinha 63 anos de idade na época, mal podia ver alguma coisa. “Agora, posso ver os olhos, narizes e bocas das pessoas que estão sentadas do outro lado da sala”, disse à New Scientist.
Até o momento, seis pacientes com doenças degenerativas nos olhos – retinite pigmentosa avançada ou degeneração macular – receberam transplantes similares nos Estados Unidos.
O médico Robert Aramant, que desenvolveu a técnica, disse: “Nós mostramos o caminho. É possível reverter essas doenças incuráveis”. Mas seu colega Normam Radtke, o cirurgião que fez os transplantes, disse: “As pessoas vão alegar que estamos promovendo o aborto”.