O que leva o jovem a cometer os atos violentos que estampam diariamente as páginas dos jornais? Discutir a violência praticada pela classe média alta do Distrito Federal é a motivação da peça Uns que Não Dormem, em cartaz no Teatro Garagem até domingo.
No espetáculo, um casal de adolescentes abastados sai de uma balada totalmente drogado e resolve assaltar uma loja de conveniência localizada em um posto de gasolina decadente. O operário do estabelecimento é atacado física e verbalmente pelos dois jovens.
A partir da agressividade entre eles, cada um revela seu íntimo e são debatidas questões como gravidez precoce, uso de drogas lícitas e ilícitas, banalização do sexo, impunidade e descaso com as leis e com os próximos. “É uma peça visceral, que toca a alma”, classifica o diretor Humberto Pedrancini. A intenção é não ser digestivo e incomodar o espectador.
Uns que Não Dormem integra o Projeto Fala Moleque, realizado pelo Instituto Terceiro Setor (ITS) e Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe/DF), em parceria com o Comitê Nacional de Vítimas de Violência (Convive). “Ninguém discute a classe média alta, jovens muitas vezes desassistidos pelos pais – que priorizam as carreiras”, salienta Jorge Luiz, produtor da peça.
O texto do brasiliense – radicado no Rio de Janeiro – Vinícius Marques foi concebido após minuciosa pesquisa em jornais e coleta de depoimentos. A escolha do elenco foi norteada pela proposta de o jovem falar com o jovem. Os personagens são representados pelos alunos de Artes Cênicas da UnB Henrique Cabral, Luciana Barreto e Bruno Mendonça Alves. O coreográfo Giovane Aguiar foi o preparador corporal do grupo.
SERVIÇO
Uns que Não Dormem – De hoje a domingo no Teatro Garagem (Sesc da 913 Sul). Sexta e Sábado, às 21h. Domingo, 20h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (estudantes e comerciários). Classificação: 14 anos.